quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Natal na Cidade no Meio do Nada

Nenhum comentário:
Lembro que fazia 13 graus quando acordei e olhei pela janela a chuva caindo. Fiquei durante vinte minutos observando as gotas apostando corrida e, ao final do caminho, juntando-se e transformando-se em um cristalino pingo, que continuava a sua jornada para chegar ao destino. Era um pouco tedioso, eu sei, mas aquilo me fazia feliz.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Nem tudo é literal

Nenhum comentário:

Aquela senhora lá ao fundo me olhava de um jeito muito dramático enquanto eu tentava ler um jornal que encontrei em cima de um banco qualquer no meio da praça. Pobre pedaço de papel, cheio de sangue, dor e lágrimas. Cheio de fezes de pombos, também. O jornal era novo, ainda daquele dia. Suas manchetes misturavam-se graças às gotas de chuva que caíam aos poucos naquela manhã. A senhora lá ao fundo continuava a me olhar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Naves & Café

Nenhum comentário:

Quando eu caminho pelos corredores da minha nave sempre me pergunto o que devo fazer naquele dia ou noite ou nenhum deles. Existe diferença entre horários no espaço? Não tenho certeza. Mas algo que eu acho muito importante, não importa a hora, é beber café. E você deve estar pensando "nossa, que clichê, amante de café". Não. Há realmente algo singular em beber café na sua nave.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Doutor RU, o cozinheiro malucão

Nenhum comentário:

O universo é vasto demais, cheio de coisas impossíveis, cercado de sujeiras espaciais que geralmente acabam batendo na sua cabeça enquanto você tenta atravessar a rua sem usar um boné de proteção. Acredite, isso acontece! E se não aconteceu, bem, prepare-se. Assim como o universo é vasto, também é a cozinha. Lá, diversos tipos de alimentos se cruzam, conversam, misturam os sabores e queimam línguas após prontos. Há semelhanças entre o universo e uma grande cozinha. Talvez sejam a mesma coisa. Preciso verificar.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O estranho ônibus ao lado do cemitério

Nenhum comentário:

Era no final da rua escura que várias coisas estranhas aconteciam. Principalmente no cemitério ao lado do parque abandonado. Este cemitério geralmente recebia visitas de pessoas engraçadas, com chapéus pontudos e compridos, criaturas vestidas de preto e mordomos altos com o rosto branco caminhando sozinhos por cima dos túmulos, dando a impressão de serem crianças mais desenvolvidas do que o normal. Eu não ligava muito para isso, nem tinha tanto medo do que se passava pelo cemitério. Nunca cheguei a ir no Jardim das Pedras, e esta também não é uma história sobre ele. O que eu quero contar aqui é sobre o que acontece ao lado do cemitério, mais ao fundo da rua da minha casa, no fim da linha, onde nem os mais corajosos colocam o pé.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O embarque para nenhum lugar

Nenhum comentário:

Havia uma janela na minha frente. Era gigante - ia do teto até o chão. Ao meu redor a escuridão não permitia que eu pudesse enxergar onde eu estava. Apenas conseguia sentir o chão gelado de pedras úmidas, e à frente o vento cortante que entrava por aquele buraco que parecia infinito.

Levantei, e senti que as minhas pernas quase não sabiam mais como andar. Não lembrava de ter passado tanto tempo ali, mas todo o meu físico provava que esta teoria estava errada. Aos poucos consegui caminhar e me aproximar daquela janela, que enviava pequenos sinais de iluminação no seu exterior. Me apoiei no lado direito e fiquei piscando sem parar até conseguir me acostumar com algo que não fosse o breu daquela noite.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

No último minuto

Nenhum comentário:


O último gole era o clímax da noite. Ele era metódico e não gostava de que a sua rotina fosse quebrada. Seus dias eram planejados, e contava exatamente quantos copos de água deveria tomar. Eram três: um de manhã, um no meio da tarde e o derradeiro antes de dormir.

Quando algum amigo o convidava para sair, de pronto dizia que não seria possível, e apenas bebia em seu copo, em sua casa, sentado no sofá enquanto assistia o National Geographic.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Nos dois lados, uma aventura

Nenhum comentário:


O vendo gelado rasgava o rosto do garoto que corria desesperadamente para chegar em casa. Ele subia e descia as pequenas oscilações do chão da fazenda, coberto de minúsculos flocos que a geada criara durante a madrugada. Lá não nevava. Mas a temperatura era suficiente para deixar qualquer pessoa desejando uma xícara de café e um cobertor.

- Só mais alguns minutos. Só mais alguns minutos.

Ele já enxergava sua casa a cem metros de distância, e podia ver a fumaça desfilando para fora da chaminé.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O dia em que eu pilotei uma nave espacial

Nenhum comentário:

- Surpresa! - toda a família dizia em coro, enquanto eu saía do meu quarto para tomar o café da manhã. Aparentemente aquele seria um dia diferente.

- Vocês vieram... - esfreguei os olhos, tentando encontrar o foco da minha visão. Sabe quando você acorda e não faz ideia de onde está ou o que está fazendo? Como se você tivesse esquecido o cérebro na cama, dormindo?

Comemos docinhos, demos algumas risadas, falamos de quando eu ainda era um bebê, e fui levado para o pátio de casa. Meu pai fechou os meus olhos e me guiou para que eu não tropeçasse e trocasse o meu aniversário por um corte gigante na cabeça. Confiei nele, como sempre fazia.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Biscoitos para o Príncipe

Nenhum comentário:

As únicas coisas que eu ouvia naquela tarde eram os pingos da chuva e a minha vó na cozinha mexendo nas panelas para começar a preparar biscoitos. Eu adorava quando isso acontecia. Me sentia seguro ao observar as gotas d'água disputando uma corrida na janela de casa, e o cheiro de mel e chocolate no forno quentinho.

- Carlinhos, você quer comer a massa que sobrou na panela?

Ela sabia exatamente do que eu gostava. O sabor cru da mistura de ovo, farinha, açúcar, mel e chocolate invadiam o meu estômago como se um elfo estivesse andando pelo meu interior e enchendo as minhas veias de alegria.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Fantástico Mundo do Café

Nenhum comentário:

- Gostaria de completar a xícara, senhor? - o Garçom segurava a cafeteira com um sorriso no rosto aguardando a resposta do Escritor, que se concentrava totalmente na tela do notebook. Passaram-se alguns minutos até ele perceber que o mundo ao seu redor ainda funcionava além das palavras em sua mente.

- Ahn... O quê? Ah, sim. Mil desculpas! Pode completar, sim, amigo. Muito obrigado!

O aroma do café invadiu as suas narinas através da fumaça do líquido recém preparado. Inseriu uma pequena quantidade de açúcar e girou a colher, criando redemoinhos naquele mar negro. Respirou profundamente e sentiu o sabor desfilando em sua boca.

domingo, 16 de junho de 2013

Agência Especial de Caçadores de Vampiros e etc

Nenhum comentário:
Albert e Robert estavam sentados na garagem de casa combinando alguns detalhes para as novas campanhas publicitárias que a sua famosa Agência de Caçadores de Vampiros estava para lançar. Eles não conseguiam chegar a um acordo e o brainstorm ficava cada vez mais cansativo.

"Olha só, não precisa muita coisa. Nós já somos famosos na cidade e é exatamente por isso que fazer um cartão de visita não deve ser o maior dos problemas. Temos que investir na simplicidade, mostrar que o nosso trabalho é eficiente, mas sem ficarmos nos exibindo demais" - Robert, o mais sensato, tentava convencer seu irmão.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O destruidor de mentes

Nenhum comentário:
Se você sair de casa e caminhar pelas ruas das cidades no ano de 2055 verá como tudo mudou. Quando eu digo "mudou", não estou querendo citar carros voadores, robôs correndo de um lado para o outro ou até mesmo máquinas destruidoras perseguindo todos os bandidos que possam existir em uma época assim. Essa não é a função dos anos 50 do século XXI, mas sim a principal descoberta neste mundo tecnológico: o vírus humano. Ele vem atacando toda a população do planeta e as promessas são de que destruirá o cérebro de qualquer ser vivo. Ninguém sabe quem o criou e ninguém sabe como parar a infecção. Se você imaginava que a sua vida com "Cavalos de Tróia" eram difíceis, pense em como está a sociedade quando ela tem um arquivo maligno atacando o seu cérebro.

terça-feira, 11 de junho de 2013

No outro lado da cama

Nenhum comentário:

O garoto já não tinha mais medo, porque naquela noite seu pai derrotara todos os monstros que o perseguiam. E ele fazia isso sempre. Cada vez que seu filho ficava com medo seu guardião estava lá para secar todas as lágrimas e colocar um sorriso naquele que era o seu bem mais precioso. As luzes eram apagadas e a angústia ia embora, trazendo alegria ao nascer do sol. E era assim que o menino sabia que estava a salvo mais uma vez.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Assassinaram o Presidente?

Nenhum comentário:

Primeiro Dia - O Presidente

Estou com o meu gravador agora e eu acho que a pilha vai durar um bom tempo para relatar tudo o que está acontecendo aqui. Primeiramente eu gostaria de deixar claro para toda a Nação de que eu sou, e sempre serei, o Presidente e que qualquer indicação de loucura é falsa, devido aos grandes traumas que eu poderei presenciar neste lugar desconhecido. Mas deixe-me contar para você o que ocorreu comigo na noite anterior.

sábado, 4 de maio de 2013

Um astronauta diferente

Nenhum comentário:

Era 6:30 da manhã e o garoto já estava sentado em sua cama aguardando a hora chegar. Seria a primeira vez em sua vida que ele partiria em uma viagem  sem a família. Isso o agradava por dois motivos: a) bem, seus pais não estariam lá; b) a menina que ele gostava estaria lá.  E ele esperou. Pegou seu livrinho e começou a folhear enquanto aguardava o despertador gritar para que ele se preparasse para sair. Isso não tinha muita importância, porque o pequeno menino já estava todo vestido e com as malas prontas. Seria uma excursão de cinco dias para um lugar muito, mas muito especial.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Histórias para dormir

Nenhum comentário:
Este conto faz parte do mundo de "Os sussurros da Floresta",
 mas não é uma continuação
A população de Talassa vivia em terror, pois eles sabiam que os Impostores estavam por todos os lados, tirando quem quer que fosse das suas vidas. As manhãs e tardes eram sempre escuras e ajudavam no tormento dos habitantes daquele lugar. Eram tristes e solitários, apenas desejando ter, um dia, a liberdade que foi-lhes roubada desde que a primeira Lua de Netuno foi criada. Segundo as histórias contadas nos antigos livros, a deusa Náiade fez todos os outros doze mundos exatamente iguais apenas por diversão, pois ela não aguentava mais viver sozinha. Obrigou aquelas pessoas a morarem em minúsculas cavernas, frias, sem qualquer motivo para serem chamadas de "Lar".

Mas, para transformar as vidas dos Talassanos e de todos os outros onze mundos um pouco mais intrigantes, Náiade resolveu dividir em doze partes os maiores símbolos de sua Casa, a fim de que todos pudessem fazer suas preces à eles, como se fossem deuses poderosos. Em Talassa, no centro da Floresta Proibida, estava a árvore e, ao seu redor, três cascatas de água lilás. Ninguém nunca ousou enfrentar este desafio.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Mistério da Tuiterlândia #2: Bloody Mary

Nenhum comentário:

Aquela noite foi um terror, mas também uma lembrança dos momentos em que os meus parceiros -  Mary e Luke - e eu passamos durante a nossa vida ativa no campo, combatendo crimes da Tuiterlândia. E não havia motivos para lamentar, de verdade, pois na nossa volta  ao mundo de vigilantes conseguimos nos livrar de um criminoso que há tempos estava deixando toda a população preocupada. Por isso andamos até o nosso antigo bar favorito: o "RT Bar". Um lugar calmo e ótimo para recuperar toda a nostalgia.

Entramos e notamos que o balcão estava vazio, tendo somente a presença do bartender organizando os copos e limpando os respingos que os recém bêbados deixaram por todos os lados. Mary e Luke andaram um pouco mais à frente e eu fiquei observando o quão familiar e ao mesmo tempo diferente estava aquele local. Me lembrava tantos momentos, mas parecia que algo estava faltando. E eu não sabia o que era.

sábado, 20 de abril de 2013

Moeda de troca

Nenhum comentário:

Houve um tempo em que trabalhar com dinheiro era indispensável e ninguém jamais imaginava que um dia essa situação mudaria completamente. Hoje eu percebo como o mundo ficou bizarro, como tudo e todos apenas se importam com os seus status, seus seguidores e seus números. No final das contas, ainda temos de saber quanto vale cada usuário que gastamos.

Nos livros de história os escritores contam de forma muito superficial como se passavam as transações em mercados, lojas... o que quer que fosse. Eu li um pedaço que dizia o seguinte:

Nas antigas civilizações, lá pelo ano de 2013, os homens costumavam fazer suas moedas com um material chamado "papel". Geralmente, quem tinha pedaço mais valioso, que era determinado pelo seu gosto, e por uns números escritos à "caneta", levava a mercadoria para casa. É importante lembrar o seguinte: nem todos possuíam estes papeis, o que obrigava o povo a se escravizar para consegui-los.

Não sei o que pode ser verdade ou não nessa descrição, mas apenas mostra como o mundo evoluiu. E eu acho que ficou muito pior.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Uma manhã com o Doutor

Nenhum comentário:

Ele não precisava dormir. Não mesmo. Mas a convivência com os humanos na Terra, enquanto estava exilado, o fez manter costumes deste povo tão querido em seus corações. E naquela manhã ele dormia. Era como se todas as suas preocupações, medos, angústias e culpas tivessem sido arrancados naqueles pequenos momentos em que descansava na sua cama, na TARDIS.

Ele sonhava que brincava com as estrelas e corria entre elas como um garoto, que já não era mais. Era até inacreditável pensar que um Senhor do Tempo que sofreu tanto poderia ainda aproveitar minutos da sua infância e de todas as maravilhas que havia visto. Lá no fundo ele acreditava que o Universo mudaria, que todos os seus monstros sumiriam no momento em que acordasse.