O homem com belos cabelos esvoaçantes tentava, de maneira muito pobre, escapar de um ataque em um planeta qualquer, que parecia ser no futuro. A placa de madeira, que não era madeira, porém uma tentativa barata de imitar o que antes era belo, anunciava um nome aleatório: Woodenbox 220. Aquela cidade especificamente lembrava muito uma bebida futurista com sabor de uva misturada com amoras. O mais importante desta bebida é que borbulhava muito no copo e dava a sensação de efervescência ao descer pela garanta.
sábado, 27 de junho de 2015
sábado, 14 de fevereiro de 2015
A Padaria do Inferno
O inferno não era como todos imaginavam. Claro, havia aquela intensa fantasia de que o diabo era um cara do mal que vivia toda a sua eternidade capturando almas inocentes - nem tanto assim - para que fizessem parte do seu rebanho de ovelhas indomáveis. Ora, qualquer um poderia acreditar em tais fábulas, mas não era bem assim que funcionava no lar do Anjo do Mal.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Natal na Cidade no Meio do Nada
Lembro que fazia 13 graus quando acordei e olhei pela janela a chuva caindo. Fiquei durante vinte minutos observando as gotas apostando corrida e, ao final do caminho, juntando-se e transformando-se em um cristalino pingo, que continuava a sua jornada para chegar ao destino. Era um pouco tedioso, eu sei, mas aquilo me fazia feliz.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Nem tudo é literal

Aquela senhora lá ao fundo me olhava de um jeito muito dramático enquanto eu tentava ler um jornal que encontrei em cima de um banco qualquer no meio da praça. Pobre pedaço de papel, cheio de sangue, dor e lágrimas. Cheio de fezes de pombos, também. O jornal era novo, ainda daquele dia. Suas manchetes misturavam-se graças às gotas de chuva que caíam aos poucos naquela manhã. A senhora lá ao fundo continuava a me olhar.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Naves & Café

Quando eu caminho pelos corredores da minha nave sempre me pergunto o que devo fazer naquele dia ou noite ou nenhum deles. Existe diferença entre horários no espaço? Não tenho certeza. Mas algo que eu acho muito importante, não importa a hora, é beber café. E você deve estar pensando "nossa, que clichê, amante de café". Não. Há realmente algo singular em beber café na sua nave.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Doutor RU, o cozinheiro malucão

O universo é vasto demais, cheio de coisas impossíveis, cercado de sujeiras espaciais que geralmente acabam batendo na sua cabeça enquanto você tenta atravessar a rua sem usar um boné de proteção. Acredite, isso acontece! E se não aconteceu, bem, prepare-se. Assim como o universo é vasto, também é a cozinha. Lá, diversos tipos de alimentos se cruzam, conversam, misturam os sabores e queimam línguas após prontos. Há semelhanças entre o universo e uma grande cozinha. Talvez sejam a mesma coisa. Preciso verificar.
A Guardiã das Cidades do Tempo

Eu sempre imaginei estar vivendo em um mundo mágico. Talvez seja por causa da quantidade de livros de fantasia que eu costumo ler, e todos eles mostram diferentes universos que, provavelmente, não existem por aqui. Mas isso me faz ficar pensando sobre o meu mundo, a minha casa, o lugar em que eu vivo: será que para quem vê de fora nós também não somos apenas alguma história impressa em páginas? Meus pais insistiram que eu parasse de bolar essas teorias, porém não vejo o porquê de deixar de exercitar o meu cérebro de vez em quando.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
O estranho ônibus ao lado do cemitério

Era no final da rua escura que várias coisas estranhas aconteciam. Principalmente no cemitério ao lado do parque abandonado. Este cemitério geralmente recebia visitas de pessoas engraçadas, com chapéus pontudos e compridos, criaturas vestidas de preto e mordomos altos com o rosto branco caminhando sozinhos por cima dos túmulos, dando a impressão de serem crianças mais desenvolvidas do que o normal. Eu não ligava muito para isso, nem tinha tanto medo do que se passava pelo cemitério. Nunca cheguei a ir no Jardim das Pedras, e esta também não é uma história sobre ele. O que eu quero contar aqui é sobre o que acontece ao lado do cemitério, mais ao fundo da rua da minha casa, no fim da linha, onde nem os mais corajosos colocam o pé.
terça-feira, 13 de maio de 2014
O Garoto da Janela de Cima

O Garoto da Janela de Cima conseguia enxergar três bancos na rua da frente. Um banco era normal, ele dizia. O outro, completamente desinteressante. Mas havia um que ele não conseguia tirar os olhos. Era um banquinho azul que, ao anoitecer, recebia uma coloração quase que sobrenatural. O Garoto da Janela de Cima não sabia explicar que tipo de azul era aquele. A única coisa que ele falava para os seus pais era:
- Aquele banquinho é mal assombrado.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
O embarque para nenhum lugar

Havia uma janela na minha frente. Era gigante - ia do teto até o chão. Ao meu redor a escuridão não permitia que eu pudesse enxergar onde eu estava. Apenas conseguia sentir o chão gelado de pedras úmidas, e à frente o vento cortante que entrava por aquele buraco que parecia infinito.
Levantei, e senti que as minhas pernas quase não sabiam mais como andar. Não lembrava de ter passado tanto tempo ali, mas todo o meu físico provava que esta teoria estava errada. Aos poucos consegui caminhar e me aproximar daquela janela, que enviava pequenos sinais de iluminação no seu exterior. Me apoiei no lado direito e fiquei piscando sem parar até conseguir me acostumar com algo que não fosse o breu daquela noite.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
No último minuto

O último gole era o clímax da noite. Ele era metódico e não gostava de que a sua rotina fosse quebrada. Seus dias eram planejados, e contava exatamente quantos copos de água deveria tomar. Eram três: um de manhã, um no meio da tarde e o derradeiro antes de dormir.
Quando algum amigo o convidava para sair, de pronto dizia que não seria possível, e apenas bebia em seu copo, em sua casa, sentado no sofá enquanto assistia o National Geographic.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Nos dois lados, uma aventura

O vendo gelado rasgava o rosto do garoto que corria desesperadamente para chegar em casa. Ele subia e descia as pequenas oscilações do chão da fazenda, coberto de minúsculos flocos que a geada criara durante a madrugada. Lá não nevava. Mas a temperatura era suficiente para deixar qualquer pessoa desejando uma xícara de café e um cobertor.
- Só mais alguns minutos. Só mais alguns minutos.
Ele já enxergava sua casa a cem metros de distância, e podia ver a fumaça desfilando para fora da chaminé.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
O dia em que eu pilotei uma nave espacial

- Surpresa! - toda a família dizia em coro, enquanto eu saía do meu quarto para tomar o café da manhã. Aparentemente aquele seria um dia diferente.
- Vocês vieram... - esfreguei os olhos, tentando encontrar o foco da minha visão. Sabe quando você acorda e não faz ideia de onde está ou o que está fazendo? Como se você tivesse esquecido o cérebro na cama, dormindo?
Comemos docinhos, demos algumas risadas, falamos de quando eu ainda era um bebê, e fui levado para o pátio de casa. Meu pai fechou os meus olhos e me guiou para que eu não tropeçasse e trocasse o meu aniversário por um corte gigante na cabeça. Confiei nele, como sempre fazia.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Biscoitos para o Príncipe

As únicas coisas que eu ouvia naquela tarde eram os pingos da chuva e a minha vó na cozinha mexendo nas panelas para começar a preparar biscoitos. Eu adorava quando isso acontecia. Me sentia seguro ao observar as gotas d'água disputando uma corrida na janela de casa, e o cheiro de mel e chocolate no forno quentinho.
- Carlinhos, você quer comer a massa que sobrou na panela?
Ela sabia exatamente do que eu gostava. O sabor cru da mistura de ovo, farinha, açúcar, mel e chocolate invadiam o meu estômago como se um elfo estivesse andando pelo meu interior e enchendo as minhas veias de alegria.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
O Fantástico Mundo do Café

- Gostaria de completar a xícara, senhor? - o Garçom segurava a cafeteira com um sorriso no rosto aguardando a resposta do Escritor, que se concentrava totalmente na tela do notebook. Passaram-se alguns minutos até ele perceber que o mundo ao seu redor ainda funcionava além das palavras em sua mente.
- Ahn... O quê? Ah, sim. Mil desculpas! Pode completar, sim, amigo. Muito obrigado!
O aroma do café invadiu as suas narinas através da fumaça do líquido recém preparado. Inseriu uma pequena quantidade de açúcar e girou a colher, criando redemoinhos naquele mar negro. Respirou profundamente e sentiu o sabor desfilando em sua boca.
- Ahn... O quê? Ah, sim. Mil desculpas! Pode completar, sim, amigo. Muito obrigado!
O aroma do café invadiu as suas narinas através da fumaça do líquido recém preparado. Inseriu uma pequena quantidade de açúcar e girou a colher, criando redemoinhos naquele mar negro. Respirou profundamente e sentiu o sabor desfilando em sua boca.
domingo, 16 de junho de 2013
Agência Especial de Caçadores de Vampiros e etc

Albert e Robert estavam sentados na garagem de casa combinando alguns detalhes para as novas campanhas publicitárias que a sua famosa Agência de Caçadores de Vampiros estava para lançar. Eles não conseguiam chegar a um acordo e o brainstorm ficava cada vez mais cansativo.
"Olha só, não precisa muita coisa. Nós já somos famosos na cidade e é exatamente por isso que fazer um cartão de visita não deve ser o maior dos problemas. Temos que investir na simplicidade, mostrar que o nosso trabalho é eficiente, mas sem ficarmos nos exibindo demais" - Robert, o mais sensato, tentava convencer seu irmão.
"Olha só, não precisa muita coisa. Nós já somos famosos na cidade e é exatamente por isso que fazer um cartão de visita não deve ser o maior dos problemas. Temos que investir na simplicidade, mostrar que o nosso trabalho é eficiente, mas sem ficarmos nos exibindo demais" - Robert, o mais sensato, tentava convencer seu irmão.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
O destruidor de mentes

Se você sair de casa e caminhar pelas ruas das cidades no ano de 2055 verá como tudo mudou. Quando eu digo "mudou", não estou querendo citar carros voadores, robôs correndo de um lado para o outro ou até mesmo máquinas destruidoras perseguindo todos os bandidos que possam existir em uma época assim. Essa não é a função dos anos 50 do século XXI, mas sim a principal descoberta neste mundo tecnológico: o vírus humano. Ele vem atacando toda a população do planeta e as promessas são de que destruirá o cérebro de qualquer ser vivo. Ninguém sabe quem o criou e ninguém sabe como parar a infecção. Se você imaginava que a sua vida com "Cavalos de Tróia" eram difíceis, pense em como está a sociedade quando ela tem um arquivo maligno atacando o seu cérebro.
terça-feira, 11 de junho de 2013
No outro lado da cama

O garoto já não tinha mais medo, porque naquela noite seu pai derrotara todos os monstros que o perseguiam. E ele fazia isso sempre. Cada vez que seu filho ficava com medo seu guardião estava lá para secar todas as lágrimas e colocar um sorriso naquele que era o seu bem mais precioso. As luzes eram apagadas e a angústia ia embora, trazendo alegria ao nascer do sol. E era assim que o menino sabia que estava a salvo mais uma vez.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Assassinaram o Presidente?

Primeiro Dia - O Presidente
Estou com o meu gravador agora e eu acho que a pilha vai durar um bom tempo para relatar tudo o que está acontecendo aqui. Primeiramente eu gostaria de deixar claro para toda a Nação de que eu sou, e sempre serei, o Presidente e que qualquer indicação de loucura é falsa, devido aos grandes traumas que eu poderei presenciar neste lugar desconhecido. Mas deixe-me contar para você o que ocorreu comigo na noite anterior.
sábado, 8 de junho de 2013
Eu não sou um Super Herói: o dia seguinte

Existem coisas na vida que nós não podemos escolher: quando nascemos, a cor do nossos olhos, quem é a nossa família, quais serão os colegas chatos que nos atrapalharão a cada minuto na escola ou no trabalho. E, apesar de podermos mudar um ou outro elemento, no final das contas continuamos sendo nós mesmos. É impossível apagar a existência, pois não importa quanto tempo ficamos no mundo, ainda seremos parte da história. Bem, 99% da humanidade pode falar isso, menos eu e os que foram destinados.
Ser um super herói não é algo que acontece por causa de uma picada de aranha ou porque você tem muito dinheiro. É fácil contar histórias em revistas coloridas e torcer para que todo o universo bata palmas no final. Não, esse é um negócio muito mais complexo do que você ou qualquer um de nós possa imaginar, e eu sei bem, porque passei trinta anos da minha vida tendo que trabalhar com isso, sendo escravo de dons que eu nunca pedi e jamais pensei em ter. Mas isso é passado agora, porque ontem eu fui demitido.
Ser um super herói não é algo que acontece por causa de uma picada de aranha ou porque você tem muito dinheiro. É fácil contar histórias em revistas coloridas e torcer para que todo o universo bata palmas no final. Não, esse é um negócio muito mais complexo do que você ou qualquer um de nós possa imaginar, e eu sei bem, porque passei trinta anos da minha vida tendo que trabalhar com isso, sendo escravo de dons que eu nunca pedi e jamais pensei em ter. Mas isso é passado agora, porque ontem eu fui demitido.