sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pipilândia – Capítulo II: decisão

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Atenção! Quero a atenção de todos, por favor!

Estamos reunidos nesta noite para notificar que o Sr. Respeitino está em coma e apenas respira por aparelhos. Todos nós iremos decidir se ele continuará vivo, ou o deixaremos descansar em paz.

- NINGUÉM PRECISA DESTE VELHO, HOJE ELE SERVE PARA QUÊ?

Eu entendo que você, Maleducadinho, não acha o Sr. Respeitino uma boa pessoa. Na verdade, acho que você não bateu um papo muito agradável com ele não.

- VEM CÁ, VOCÊ ACHA QUE ESSE CARA VAI INFLUENCIAR MUITA COISA? DESLIGUE ESSES APARELHOS, ENTERRE O HOMEM E VAMOS VIVER AS NOSSAS VIDAS.

Deixe-me lhe contar uma bela história:

Eram tempos turbulentos na crise econômica do nosso país, as pessoas já estavam fartas e aborrecidas, ninguém conseguia dormir e todos começavam as manhãs com um peso nas costas, xingando qualquer um por qualquer coisa. Eis que um dia um jovem viu que tudo estava se tornando um caos profundo, quase irrecuperável, olhou para aquele povo, subiu em um palco montado justamente para as eleições para a prefeitura e apresentou-se: meu nome é Respeitino Felizberto, vim da cidade da Boa Esperança e quero ser o seu prefeito.

Apenas isto bastou, Sr. Respeitino já havia se tornado o mais popular entre os populares daquela pacata cidade, Pipilândia. Todos se admiraram com a forma que este senhor conduzia a alegria dos cidadãos, mas infelizmente ele foi ficando cada vez mais fraco e tudo o que ele fez fora esquecido. A sociedade voltara a ser um caos, a bela cidade se encobriu de uma nuvem negra de intolerância e confusão. Os jovens batiam nos velhos, os velhos choravam por clemência. Tudo estava terminado.

- Mas meu amigo, este mundo mudou, nada mais é o mesmo. Não sejamos hipócritas...

Realmente, meu rapaz, o mundo mudou. Mas nada nos impede de manter Sr. Respeitino respirando por aparelhos.

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Quer ver como começou a história de Pipilândia? Clique aqui.

domingo, 15 de agosto de 2010

Pipilândia – Capítulo I: início

Um comentário:
Essa é uma história que provém das longínquas terras do além-mar. Lá onde o sol se punha logo após o chá da tarde. Pipilândia sempre foi tratada como uma região esquecida perante às metrópoles, ninguém gostava ou sequer conhecia o belo lugarejo. Apesar de simpática ela se caracterizava por pessoas que não conversavam.

Construiu-se então um muro em que seriam colados papeis com frases e pensamentos que os cidadãos escreveriam. Neles, cada um escolheria qual gostaria de ler e, se possível responderiam os recados. Porém, a curiosidade era tanta que ninguém mais lia o que interessava, mas sim, o que não gostava.

O pequeno povoado começou a entrar num colapso sem fim e todos os moradores aderiram esta ideia, aperfeiçoando-a: mandavam recados sem qualquer endereço, para que alguém os interpretasse como uma indireta. Fez-se a guerra. O que era uma cidade tranquila de se viver, passou a ser um emaranhado de gente ofendida sem saber o porquê. Afinal, ninguém jamais falou que aquelas mensagens eram mesmo para quem estava lendo.

Os que usavam da ferramenta com paz e harmonia tiveram que procurar outro lugar para morar, e os ranzinzas continuaram com suas banais e desnecessárias mensagens sem destinatário.