domingo, 15 de agosto de 2010

Pipilândia – Capítulo I: início

Essa é uma história que provém das longínquas terras do além-mar. Lá onde o sol se punha logo após o chá da tarde. Pipilândia sempre foi tratada como uma região esquecida perante às metrópoles, ninguém gostava ou sequer conhecia o belo lugarejo. Apesar de simpática ela se caracterizava por pessoas que não conversavam.

Construiu-se então um muro em que seriam colados papeis com frases e pensamentos que os cidadãos escreveriam. Neles, cada um escolheria qual gostaria de ler e, se possível responderiam os recados. Porém, a curiosidade era tanta que ninguém mais lia o que interessava, mas sim, o que não gostava.

O pequeno povoado começou a entrar num colapso sem fim e todos os moradores aderiram esta ideia, aperfeiçoando-a: mandavam recados sem qualquer endereço, para que alguém os interpretasse como uma indireta. Fez-se a guerra. O que era uma cidade tranquila de se viver, passou a ser um emaranhado de gente ofendida sem saber o porquê. Afinal, ninguém jamais falou que aquelas mensagens eram mesmo para quem estava lendo.

Os que usavam da ferramenta com paz e harmonia tiveram que procurar outro lugar para morar, e os ranzinzas continuaram com suas banais e desnecessárias mensagens sem destinatário.

Um comentário:

  1. Tipo de recado: "se a carapuça serve..."

    Gostei do texto, só não sei se gostaria de morar em Pipilândia. Apesar de que, acho que moramos bem pior do que isso, né?

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