sábado, 27 de junho de 2015

Os Caçadores de Viajantes do Tempo - Prólogo

O homem com belos cabelos esvoaçantes tentava, de maneira muito pobre, escapar de um ataque em um planeta qualquer, que parecia ser no futuro. A placa de madeira, que não era madeira, porém uma tentativa barata de imitar o que antes era belo, anunciava um nome aleatório: Woodenbox 220. Aquela cidade especificamente lembrava muito uma bebida futurista com sabor de uva misturada com amoras. O mais importante desta bebida é que borbulhava muito no copo e dava a sensação de efervescência ao descer pela garanta.

Nada disso importava. 

O planeta era um pouco abandonado - isso o homem de belos cabelos esvoaçantes e grisalhos já tinha notado. Aliás, apesar de grisalhos, sua idade não aparentava nem um pouco qualquer tipo de envelhecimento. Ele tinha “um rosto abençoado pelos céus”, segundo o seu arquivo em uma agência, sobre a qual conversaremos mais para frente.

Seu relógio vintage, porém bastante tecnológico, indicava um breve temporal interplanetário, o que significava uma guerra que durava trinta segundos. Isso mesmo! Apenas trinta segundos de guerra. Isso não impedia que fosse uma das maiores desgraças já vistas por qualquer criatura habitante do cosmos.

Livro de História - Guerra dos Trinta Segundos.

“Os viajantes do tempo geralmente são encarregados de verificar diversos acontecimentos que ocorrem por todos os lados do universo, e até mesmo fora deles. Certa vez uma mulher, dona de uma nave espacial belíssima, esteve no que podemos nos referir como “fim da linha” e, por incrível que pareça, havia um trilho de trem inacabado que ficava flutuando por sobre toda a escuridão. Curiosa para saber o que havia por lá, bem, a curiosidade matou o gato…

Mas a Guerra dos Trinta Segundos durava tão pouco tempo, pois os viajantes podiam ir e voltar para aquele mesmo momento e ficar lutando durante décadas. Aos olhares leigos, tudo era rápido demais, mas o estrago nos planetas continuava sendo terrível.”

E agora era hora de mais uma dessas guerras. Mas antes, um breve histórico sobre o nosso aventureiro.

A Agência - Arquivo:

Seu nome era Bea Had, tinha sei lá quantos anos, e era adorador de diversos utensílios tecnológicos que se pareciam com objetos muito, muito antigos. A sua foto demonstrava um olhar severo, porém relativamente calmo, e os seus cabelos brancos enchiam os olhos de qualquer um que o visse. Além dessas belas madeixas de cor da neve, Bea recém havia pintado uma mecha da cor roxo, pois adorava uma bebida do mesmo tom. Sua roupa era causal, porém muito aventureira: um casaco azul escuro que ia até um pouco depois da cintura, botas pretas que o protegiam do frio, e uma touca lilás no topo da cabeça, mas que deixava espaço para mostrar os cabelos, é claro. Seus óculos redondos na ponta do nariz só davam o charme final.

Bea Had era um viajante do tempo. Ele, assim como todos os seus colegas, iniciavam a sua carreira logo cedo em uma agência sem nome que ficava no planeta Terra 3.0. Com o passar dos anos, e depois do descobrimento do novo meio de transporte, também conhecido como Ônibus Pelo Buraco da Minhoca, as pessoas, cada vez mais, foram se especializando nesse novo formato de emprego, que se resumia em dirigir um ônibus por um vórtice colorido fabricado pelo universo.

Geralmente as viagens eram muito pacíficas e tinham como princípio mostrar às pessoas os acontecimentos mais importantes da Terra e também de outros planetas. 

Diversos arquivos exploraram as conversas entre o pai de Bea e ele, que tentava convencê-lo a mudar de profissão:

- Mas filho, motorista de ônibus? - Dizia o pai, frustrado.
- Viajante do tempo! - Enchia o peito para falar.
- Você sabe que viagem no tempo atualmente é bastante comum, não é?
- Sei, e continuo orgulhoso disso.

Mas voltando ao que interessa: eu disse que as viagens aconteciam para o lazer e eram muito pacíficas, não é? Então, até certo ponto, e é aí que o nosso amigão Bea Had entra na história. A Agência disfarçava-se de uma autoescola para dirigir ônibus porque na verdade ela formava acadêmicos profissionais em lidar com crises interplanetárias. Basicamente, os Viajantes eram soldados de alto gabarito. 


E em uma das viagens, desbravando o planeta Woodenbox 220, houve a Guerra dos Trinta Segundos.

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