segunda-feira, 20 de abril de 2015

Medo. Frustração. A magia parece ter acabado.

Antes de fazer este texto eu estava pronto para assistir ao primeiro episódio da 3ª temporada de Orphan Black que, se você não assistiu, já está perdendo tempo. Mas por favor leia as minhas palavras antes de correr para a locadora de séries online. O que eu quero propor aqui é mais ou menos uma continuação da minha famosa dissertação sobre criatividade, porém com um tom um pouquinho mais pessimista. Mentira, eu só não vou dar dicas sobre a vida hoje.

Vamos começar com o medo, que é a primeira palavra do nosso título. Medo é infernal. Medo nos impede de fazer centenas de coisas que queremos só por causa de um possível resultado que é provável que não aconteça. Nós lutamos para continuar na nossa situação recorrente pois é mais fácil do que arriscar um passo a mais. Eu poderia ter tirado a câmera e feito uma ótima foto se não fosse o medo ou a vergonha. Novamente usando o exemplo da fotografia que me dominou completamente neste ano (2015). O medo nos trava e nos bloqueia. Todos os dias eu sofro disso porque sinto a necessidade de mostrar quem sou verdadeiramente, mas tenho medo de fazer isso.

Minha interação pessoal, conhecer novas pessoas é uma tarefa extremamente complicada e, devo dizer, muito mais evolutiva do que qualquer outra coisa. Eu não confio nas pessoas com o meu eu. Não por me achar melhor, mas por simplesmente não achar válido me conectar tanto assim com alguém que talvez veja uma vez na vida. Eis o que acontece: fico calado esperando a oportunidade de ir embora.

No lugar em que eu trabalhava levei mais de um ano para começar a conversar e contar piadas, e isso é sempre que inicio um novo ciclo. É apenas medo, não antipatia. Mas esse sentimento não se aplica quando preciso criar algo ou mostrar ao mundo o que fiz. Ansiedade, sim. Mas medo? Dificilmente. Perdi isso graças aos projetos e blogs que mantenho na internet.

Também acho terrível a sensação de saber que alguém, em algum lugar do mundo, ou talvez alguém que eu tenha vontade de conversar não me ache legal apenas porque descrevi tudo acima - não consigo ser eu logo de início. Leva tempo. Mas enfim, todos têm seus medos, e provavelmente alguém se identifique com o meu.

*

Frustração se conecta levemente com o medo e com o fato da mágica ter acabado. Aqui quero falar sobre o meu cérebro e como ele está mudando aos poucos. Primeiramente gostaria de dizer que não há nada melhor do que evoluir psicologicamente e ver a quantidade de porcaria que você costumava fazer quando mais jovem. Ainda sou relativamente jovem (apesar de um fio de cabelo branco), mas a cada ano que passa há um pontinho a mais de experiência em mim (ainda bem). 

Quem me conhece sabe que eu amo Doctor Who. Sim, blablabla é só uma série, ótimo. Para você, pode ser, mas para mim foi um dos principais meios de entretenimento que me fez voltar a ser criança e crescer criativamente. Se não fosse por Doctor Who talvez as minhas referências seriam muito inferiores. Em 2013 eu chorava, eu ria, eu tinha um sorriso enorme ao ver o Doutor na sua cabine telefônica, e acho que a cena abaixo resume exatamente o meu sentimento com ela:


Era o meu conto de fadas favorito. Mas as pessoas crescem e a magia vai terminando. E para não ficar só com Doctor Who, tudo perdeu a magia. Eu assisto séries, filmes (de vez em quando), leio e nada me encanta. Tudo é chato, tudo precisa ser criticado. O último livro que me transformou em uma criança foi O Oceano no Fim do Caminho e desde lá estou completamente frustrado por não existir mais nada assim.

Agora a minha necessidade é fazer fotos ou escrever coisas que me levem novamente para esse mundinho fantasioso em que havia alegria ao não estar na Terra. Por isso tento criar e pensar em coisas criativas, porque o entretenimento em geral já não me proporciona mais isso.

Enfim, fico feliz se você chegou até o fim. É mais um pensamento sobre um todo do que qualquer outra coisa.

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