sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Fantástico Mundo do Café


- Gostaria de completar a xícara, senhor? - o Garçom segurava a cafeteira com um sorriso no rosto aguardando a resposta do Escritor, que se concentrava totalmente na tela do notebook. Passaram-se alguns minutos até ele perceber que o mundo ao seu redor ainda funcionava além das palavras em sua mente.

- Ahn... O quê? Ah, sim. Mil desculpas! Pode completar, sim, amigo. Muito obrigado!

O aroma do café invadiu as suas narinas através da fumaça do líquido recém preparado. Inseriu uma pequena quantidade de açúcar e girou a colher, criando redemoinhos naquele mar negro. Respirou profundamente e sentiu o sabor desfilando em sua boca.

- Isso é, com licença - chamou o Garçom que já se afastava da mesa. - Isso é uma deliciosa xícara de café!

- Então, você é um escritor, certo? Se não for muito incômodo, você poderia ler um pedaço da história? O vejo sempre aqui no mesmo horário digitando nesse computador e fiquei curioso para saber o que a sua mente produz tanto. Novamente, se não for atrapalhar.

- Não, sem problemas. Estou fazendo o meu intervalo mesmo. Eu tive uma ideia legal há algumas semanas sobre um mundo onde o café é o personagem principal. Tudo naquele lugar acontece por causa desta bebida. Vou ler o que eu fiz até agora.

O café mágico: conto 1

Meus pais nunca me deixam tomar café. Não sei se é porque é forte ou porque muitos chamam a bebida de viciante. Na internet vários comentam que não conseguem ficar sem, mas eu realmente não sei dizer se isso é verdade ou não. Nunca provei e talvez nunca irei. Mentira. Meus pais saíram de casa hoje pela manhã e eu estou totalmente sozinho, apenas esperando a cafeteira entregar à minha xícara uma bela quantidade daquela bebida cheirosa. Não sei o que vai acontecer daqui a pouco, mas espero que dê tudo certo. 

(...)

- Depois que ele bebe o café que a história começa a fluir. Não escrevi ainda o desenvolvimento até chegar ao ponto principal, mas já tenho algumas ideias formuladas.

(...)

Não sei se estou sonhando ou a bebida que faz isso com as pessoas, mas estou em uma rua onde o cheiro de café é tão forte que eu chego a ficar um pouco grogue. O povo daqui é extremamente elétrico e correm de um lado para o outro como se estivessem atrasados para todos os compromissos das suas vidas. As lojas nesta avenida têm um estilo steampunk, com tubos gigantes transparentes no topo dos prédios, cheios de café. Já estou ficando arrependido de ter bebido isso.

O Escritor fechou seu notebook e olhou para o Garçom, aguardando alguma aprovação.

- Não vejo a hora de comprar o seu livro.

Com um sorriso no rosto o Escritor guardou as suas coisas e foi caminhando até o seu apartamento para descansar após aquele dia de trabalho. Foi até o quarto, colocou o pijama de listras azuis e deitou, torcendo para que o sono chegasse logo. E chegou. Apenas às 4h da manhã que acordou novamente, mas ao tentar sair da cama para ir ao banheiro, percebeu que estava em queda livre e atingiu o chão de uma avenida desconhecida.

- Olá. Com licença! Oi? Por favor, você poderia me dizer onde eu estou? - perguntava para cada pessoa que via na rua, porém todas pareciam com muita pressa para darem atenção ao rapaz perdido.

Foi caminhando e aos poucos realizando que aquilo tudo era muito familiar. Sentiu o aroma do café invadindo seus sentidos e a ficha caiu.

- Que droga! Estou sonhando de novo. Sabia que essa dedicação no livro começaria a afetar o meu cérebro.

- Meu jovem, você não está sonhando. - um homem de terno marrom e cartola se aproximou do Escritor. Seu perfume de chocolate e caramelo era extremamente cativante.

- 'Tá bom. E por acaso quem é o senhor?

- Meu nome é Frappuccino. E sou a sua criação, apesar de você ainda não ter pensado no meu personagem.

- Que loucura é essa?

- Caro jovem, você realmente imaginou que o mundo da literatura ficava preso em apenas palavras do seu notebook? Que os universos apenas se tornam reais quando alguém está com um livro em mãos absorvendo os textos? No momento em que uma ideia existe, como a sua, tudo é desenvolvido. Você pode não saber que determinado personagem participará da história, mas nós ganhamos vida e criamos os nossos próprios caminhos. Tudo é real, principalmente para um homem criativo.

- Certo, vamos dizer que eu acreditei nisso. Como eu vim parar aqui?

Frappuccino levou o Escritor até o seu escritório em um dos prédios da Avenida Principal. Era uma Cafeteria.

- O café é uma bebida poderosa, você mesmo escreveu isso no seu conto. Ou vai escrever. O protagonista da sua história chegou em um mundo após beber este líquido precioso e o mesmo aconteceu com você. Nem todos os escritores conseguem acessar os mundos que criaram. Muitos utilizam a desculpa de que conseguem imaginar todos os detalhes e descrever como se estivessem no lugar, mas é outra bobagem para fazer as pessoas normais acreditarem nisso. Eles realmente conseguem entrar nestes mundos e é exatamente isso que está acontecendo com você hoje.

Com uma luz extremamente brilhante tudo sumiu, e o planeta Terra voltou a ser o que era anteriormente, apenas com a diferença de que já havia amanhecido. O Escritor estava na Cafeteria normalmente, enchendo a tela do notebook com textos.

- Bom dia, senhor. Gostaria de completar a sua xícara? - O Garçom segurava a cafeteira com um sorriso no rosto. - Pelo jeito a manhã foi produtiva, não é mesmo? - disse, observando as últimas palavras escritas no documento: "(...) e eu finalmente entendi o porquê de não poder beber café quando muito jovem. Fim".

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