quinta-feira, 11 de julho de 2013

Biscoitos para o Príncipe


As únicas coisas que eu ouvia naquela tarde eram os pingos da chuva e a minha vó na cozinha mexendo nas panelas para começar a preparar biscoitos. Eu adorava quando isso acontecia. Me sentia seguro ao observar as gotas d'água disputando uma corrida na janela de casa, e o cheiro de mel e chocolate no forno quentinho.

- Carlinhos, você quer comer a massa que sobrou na panela?

Ela sabia exatamente do que eu gostava. O sabor cru da mistura de ovo, farinha, açúcar, mel e chocolate invadiam o meu estômago como se um elfo estivesse andando pelo meu interior e enchendo as minhas veias de alegria.

Mas, além de tudo isso, algo que realmente fazia o meu dia ser perfeito era criar um castelo com os meus cobertores no quarto. Eu ajeitava as cadeiras, uma em cima da outra, para que a parte da frente representasse uma torre gigante, e criava um corredor até o outro lado, para que eu pudesse caber deitado.

- Vó, eu vou ali no meu quarto criar o meu castelo, tá bom?

- Tudo bem! Só não esqueça de vir pegar os biscoitos depois!

- Pode deixar.

Tranquei a porta e comecei a aventura. Dois pares de cadeiras empilhados um ao lado do outro formaram a entrada, depois três cadeiras na direita e esquerda finalizaram o trabalho. Joguei o maior cobertor que tinha na casa e me vi novamente em meu castelo.

- Senhor! Temos um problema na Torre Principal. Precisamos da sua assistência imediatamente!

- Diga aos cavalheiros que eu estou chegando.

Caminhei pelos gramados Reais e fui verificar o que estava fazendo a cidade tão pacífica, abruptamente, criar motivo de preocupação nos meus soldados.

"ATENÇÃO! O PRÍNCIPE ESTÁ CHEGANDO!"

- Eu já falei, não gosto destas formalidades. Vamos apenas resolver o que quer que seja e continuar com as nossas vidas.

- Senhor, se me permite... - um homem que eu não conhecia se aproximou, ajoelhando-se e evitando contato visual - ...eu lhe trouxe um presente, Vossa Realeza, Senhor.

- Que gentil!

- Vossa Majestade, eu disse para este plebeu que não é permitido trazer tais futilidades.

- Não, não se preocupe. O bom senhor aqui gostaria de me presentear e eu aceitarei com carinho.

O homem tirou do bolso do casaco uma latinha retangular e abriu a tampa, revelando apetitosos biscoitos banhados ao chocolate. Ainda estavam quentes, e o cheiro ocupava todo o Salão da Torre Principal.

- Isso é magnífico!

- Vossa Santidade, Senhor. Minha esposa, querida esposa, que ama o Senhor, Majestade, preparou estes biscoitos para a sua apreciação, amado Príncipe.

Toc. Toc. Toc.

- Carlinhos! Os biscoitos já estão prontos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário