domingo, 16 de junho de 2013

Agência Especial de Caçadores de Vampiros e etc

Albert e Robert estavam sentados na garagem de casa combinando alguns detalhes para as novas campanhas publicitárias que a sua famosa Agência de Caçadores de Vampiros estava para lançar. Eles não conseguiam chegar a um acordo e o brainstorm ficava cada vez mais cansativo.

"Olha só, não precisa muita coisa. Nós já somos famosos na cidade e é exatamente por isso que fazer um cartão de visita não deve ser o maior dos problemas. Temos que investir na simplicidade, mostrar que o nosso trabalho é eficiente, mas sem ficarmos nos exibindo demais" - Robert, o mais sensato, tentava convencer seu irmão.

Isso durou horas e mais horas até que concluíram que um simples pedaço de papel com uma foto da Agência daria conta do recado. E foi nesse momento que os dois olharam para o relógio e perceberam que já era meia-noite, ou seja, a diversão estava prestes a começar, porém ninguém havia ligado para registrar qualquer ocorrência de vampiros atacando ou qualquer outro evento sobrenatural. Ficaram ali, sentados, enquanto assistiam ao seu programa de TV favorito: "Buffy, a Caçadora de Vampiros", como se não fosse o maior clichê do mundo.

"Sabe, será que não está na hora de ampliarmos a nossa linha de trabalho?" - perguntou Albert, pausando a série.

"Como assim? Nós já cobrimos boa parte dos vampiros, matamos alguns lobisomens e também mandamos alguns fantasmas para os lugares que pertencem. O que mais precisamos fazer?" - Robert esperava que isso acabasse a conversa.

E realmente acabou. Albert olhou para o rosto do seu irmão e nem comentou mais nada sobre o assunto. Talvez imaginar ter o dobro de trabalho o fez desistir da ideia. Então continuaram assistindo Buffy até quatro horas da madrugada, quando o Super Telefone de Vampiros Soltos tocou.

"Agência Especial de Caçadores de Vampiros e etc, boa madrugada (ou não)! Aqui é Albert, irmão de Robert, da empresa já citada falando" - ele ficou aguardando alguma resposta, mas o outro lado da linha não parecia estar colaborando muito para que o diálogo tivesse andamento. - "Alô, com que posso ajudar?" - insistiu, inutilmente.

"Você tem cinco minutos" - a voz misturada com uma estática bizarra resmungou nos ouvidos de Albert, que gritou para Robert:

"CINCO MINUTOS. CORRA E PEGUE OS EQUIPAMENTOS!"

Os dois estavam sem saber o que fazer. Robert tropeçava nas escadas e Albert tentava se livrar de uma rede para caçar fadas que tinha ficado presa em suas pernas, mas no final das contas conseguiram ir até o Carro Especial de Caçadores de Vampiros, que tinha vantagens como: velocidade igual ou maior que um monstro sedento por sangue, funcionar apenas durante a noite (não muito inteligente, porque isso fazia com que eles tivessem que comprar outro veículo), dentes caninos na frente (também nada útil). Eles eles notaram, portanto, que haviam adquirido um carro usado por um valor extremamente alto.

Ao chegar no local da ligação, graças ao GPS Especial de Localização Sobrenatural instalado no telefone, eles viram algo muito peculiar na casa: estava pegando fogo, mas esse não era o detalhe curioso. O suposto vampiro estava em uma cadeira de praia, olhando diretamente para as chamas e bebendo algo vermelho, provavelmente suco de framboesa.

"Nada mais glorioso que poder deitar durante a noite e apreciar a fogueira esquentando o meu corpo sem sangue" - disse o monstro, enquanto percebia a chegada de Robert e Albert.

Robert, sempre perspicaz, estava analisando que algo não cheirava muito bem.

"Bem, bem, bem, parece que churrasco de carne estragada não tem o mais agradável dos aromas"

O vampiro não deu importância ao comentário e continuou bebendo o seu sagrado líquido. Mas Albert notou algo muito mais interessante naquela fantástica cena.

"Robert, é ele de novo. É esse maldito, desgraçado e sanguinário enchendo a nossa paciência mais uma vez" - já estava vermelho de raiva.

Robert, com toda a sua elegância, foi até mais perto da figura pálida deitada na cadeira e olhou clinicamente nos olhos da criatura. Naquele momento também ruborizou e tentou falar com a maior calma do mundo.

"Elbert, nós estamos tentando fazer o nosso trabalho. Toda a cidade depende de nós, e você, só porque nunca lhe convidamos para a empresa, fica tirando sarro e nos mandando trotes. E que diabos é essa casa pegando fogo?"

"Caros irmãos, vejam bem, vocês nunca notaram que todas as chamadas que vocês recebem são feitas por mim? Essa empresa ou agência é pura desculpa para não trabalhar e ficar assistindo Buffy até madrugada. E a casa queimando, bem, eu fui trocar um botijão de gás e acabou explodindo tudo. Para eu não entrar em total desespero resolvi ligar para meus amados irmãos".

Albert e Robert ficaram tristes e pediram ajuda para Elbert, porque agora eles não sabiam de onde tirar dinheiro para as suas vidas, mas não perceberam uma coisa muito importante: nunca tinha entrado qualquer quantia durante os cinco anos de trabalho como caçadores de vampiros.

"Vocês são bem idiotas mesmo. A sua fama na cidade não é pelo bom trabalho, mas porque todos investem na continuação disso, pois vocês os fazem rir e divertem a população. Basta manter essa mentira em pé e vocês ficarão milionários em pouco tempo".

E foi assim que Albert, Robert e Elbert caminharam até o horizonte, aguardando mais um evento sobrenatural.

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