sábado, 4 de maio de 2013

Um astronauta diferente


Era 6:30 da manhã e o garoto já estava sentado em sua cama aguardando a hora chegar. Seria a primeira vez em sua vida que ele partiria em uma viagem  sem a família. Isso o agradava por dois motivos: a) bem, seus pais não estariam lá; b) a menina que ele gostava estaria lá.  E ele esperou. Pegou seu livrinho e começou a folhear enquanto aguardava o despertador gritar para que ele se preparasse para sair. Isso não tinha muita importância, porque o pequeno menino já estava todo vestido e com as malas prontas. Seria uma excursão de cinco dias para um lugar muito, mas muito especial.

Finalmente, às 8:30, o seu robô andou de um lado para o outro falando "É HORA DE ACORDAR. É HORA DE ACORDAR. QUEM ESTÁ PREPARADO PARA UMA VIAGEM?".

"Eu! Eu estou MUITO preparado! Será a melhor aventura do mundo!!" - seus olhos brilhavam de uma maneira que até a sua mãe, na cozinha, percebeu.

"Olha quem está todo serelepe hoje, hein? Espero que você goste muito do passeio. Aqui tem duas torradas com queijo derretido e alguns sanduíches, caso a fome bata no caminho" - a Mãe foi colocando tudo na mochila do garoto, mas viu que ela já estava cheia com dezenas de salgadinhos e bolachas. Ela deu um sorriso e desistiu.

Lá fora o ônibus buzinou, anunciando que em breve a jornada teria início. O menino deu um beijo na mãe, que desejou um bom passeio, e escreveu um bilhete para o seu pai, que estava trabalhando. Foi para fora e localizou o meio de transporte que flutuava naquela rua prateada da sua vizinhança. Pressionou o botão em seu relógio e se viu dentro do ônibus totalmente cheio com os seus colegas, que faziam bagunça. Para a sua felicidade, o banco ao lado da garota que ele gostava estava vago. Isso sim era um milagre e um início de uma viagem promissora.

Ele ficou encarando a menina por alguns minutos e acabou distraído, batendo a sua cabeça quando o veículo começou a andar. Ela o olhou e deu um sorriso, achando bonitinho. Logo, as crianças colocaram as suas cabeças no lado de fora das janelas para olharem toda a cidade que ficava abaixo. E em poucos segundos já estavam pousando em outro lugar. Os ônibus daqueles tempos tinham a vantagem de se locomoverem em menos de minutos entre milhares de quilômetros. Capacidade esta promovida para um melhor aproveitamento das excursões.

Mas o menino não ficou feliz, porque queria passar mais tempo do lado da garotinha que ele era apaixonado.

"Que bom que já chegamos, não é mesmo? Você vai descer?" - ela perguntou, porque todos já haviam saído do ônibus, menos os dois.

"Ahn, sim! Isso! Descer! Vamos lá!" - estava todo encabulado, o pobre rapazinho.

Mas, ao chegar perto da sala de comando do piloto do ônibus, sem querer o garoto tropeçou e bateu em um dos botões, fazendo com que eles fossem transportados para um outro lugar, no meio do nada. No espaço!

"O que eu fiz? O QUE EU FIZ? Meu Deus, o que eu fiz? E agora, como é que nós vamos voltar?" - ele estava quase chorando. Só não o fez, porque ainda tinha a companhia da menina que amava.

Ela chegou perto, sorrindo para ele e pegou na sua mão.

"Calma... olhe lá para fora"

E os dois foram até a janela. Lá viram toda a maravilha do universo: estrelas cadentes indo de um lado para o outro, pequenos e grandes planetas, naves passeando para lá e para cá. Seus olhos, novamente, encheram-se d'água.

"Sabe... essa está sendo a melhor aventura do mundo" - a garota disse, dando um beijo em sua bochecha. 

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