quarta-feira, 1 de maio de 2013

Histórias para dormir

Este conto faz parte do mundo de "Os sussurros da Floresta",
 mas não é uma continuação
A população de Talassa vivia em terror, pois eles sabiam que os Impostores estavam por todos os lados, tirando quem quer que fosse das suas vidas. As manhãs e tardes eram sempre escuras e ajudavam no tormento dos habitantes daquele lugar. Eram tristes e solitários, apenas desejando ter, um dia, a liberdade que foi-lhes roubada desde que a primeira Lua de Netuno foi criada. Segundo as histórias contadas nos antigos livros, a deusa Náiade fez todos os outros doze mundos exatamente iguais apenas por diversão, pois ela não aguentava mais viver sozinha. Obrigou aquelas pessoas a morarem em minúsculas cavernas, frias, sem qualquer motivo para serem chamadas de "Lar".

Mas, para transformar as vidas dos Talassanos e de todos os outros onze mundos um pouco mais intrigantes, Náiade resolveu dividir em doze partes os maiores símbolos de sua Casa, a fim de que todos pudessem fazer suas preces à eles, como se fossem deuses poderosos. Em Talassa, no centro da Floresta Proibida, estava a árvore e, ao seu redor, três cascatas de água lilás. Ninguém nunca ousou enfrentar este desafio.

Antes de dormir eu leio as histórias dos livros da pequena biblioteca que nós temos aqui em casa. Os Impostores, felizmente, não nos privaram ainda deste exercício. Acho que um dos motivos é porque eles preferem ver o nosso sofrimento ao lermos aventuras em incríveis mundos coloridos que nós nunca poderemos encontrar. Sim, apesar de vivermos toda a nossa existência no escuro, nós sabemos que em outros lugares as coisas são diferentes. E este é o único momento em que eu posso me livrar do terror que é morar aqui.

Infelizmente eu já li todas as obras que eu tenho e não quero recomeçar, porque sei o que vai acontecer com os personagens. Já cansei de revirar as estantes, tentar encontrar algo novo, mas está extremamente difícil. Por isso eu combinei com o meu amigo para ver se a família dele pode me emprestar algum que eles não estão aproveitando no momento. A biblioteca deles é bem maior, então isso não deverá ser um problema.

E na mesma noite eu fui lá. Bati na porta e eles logo vieram mostrando-se bem felizes em me receber.

"Pode entrar. O Sao está lá esperando por você. Pode escolher qualquer livro, está bem?" - disse a Mãe, que usava um avental e preparava algo extremamente cheiroso na cozinha da pequena caverna. Eles sabiam como manter um ambiente agradável.

Caminhei e encontrei Sao revirando algumas caixas e mexendo nos títulos que estavam já posicionados na estante. Era enorme, umas dez vezes maior do que a minha. Eles tinham, pelo menos, mais de cem livros.

"Não consegui ler nem metade. Vai olhando aí e vê se você acha algo que lhe interesse" - disse o meu amigo.

Passei por algumas obras que eu já havia lido: "As maravilhosas aventuras de Galateia, a Guerreira"; "Os contos de Laomedeia e Psámata", mas encontrei um título específico que me chamou muito a atenção: "A Árvore e as Cascatas da Vida". Todas as histórias que eu tive a oportunidade de conhecer eram sobre as aventuras nos Mundos das outras Luas de Netuno, mas nunca algo referente às nossas origens. Decidi levar este para casa.

Cheguei e fui ansioso para ler. Foi quando abri as primeiras páginas que notei que tudo seria diferente deste momento em diante.

A Árvore é infinita, banhada por cascatas que descem em um riacho, ilhando aquela magnífica criação do Mundo de Talassa, a deusa principal. Seus tesouros e segredos estão guardados neste lugar. E em uma Floresta Negra todas as respostas você irá encontrar.

Eu tinha de saber se isso era verdade.

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