sexta-feira, 5 de abril de 2013

O mistério da Tuiterlândia

Nas noites de sábado eu gosto de ficar sentado na minha poltrona olhando para o fogo que destrói os pedaços de madeira. Neste meu momento de descanso procuro um livro interessante na minha prateleira e preparo um café bem forte para me manter acordado durante a madrugada. Isto nunca muda. Minha rotina é deveras rígida e eu gosto que seja assim. As vantagens de ser um policial aposentado da Tuiterlândia - graças a um tiro que levei no joelho aos meus vinte anos - é que sou recompensado todos os meses com infinitas quantidades de dinheiro na minha conta, mas utilizo apenas para meus pequenos gastos. Ser rico não significa que eu posso comprar o mundo. 

Algo que me tornou uma pessoa muito feliz foi ficar fora da vida de perseguir bandidos nesta cidade. Eu estava no início de carreira e achava tudo aquilo uma chatice extrema, além de correr perigos que eu não estava interessado em experimentar. Devo dizer que aquele tiro caiu do céu. Mas existem momentos em que tudo está tão tranquilo, que o sentimento de uma merda chegando é inevitável.

E tocou o telefone.

"Alô" - falei, temendo.

"E aí, cara" - disse a figura no outro lado da linha.

E eu sabia quem era. O meu ex-parceiro na Delegacia de Tuiterlândia estava fazendo a ligação, o que significava apenas uma coisa: o Seguidor estava de volta. Era óbvio que eu não precisava dizer mais nada. Dei uma respiração profunda e ouvi Luke Tyler falando:

"Você é, sem dúvidas, um bom humano. Ah, e já sabe quem chamar, né?"

Eu sabia. Era necessário que eu fosse até o apartamento da pessoa que tem o maior número de contatos na Tuiterlândia. Tem uma coisa que você precisa saber sobre a nossa cidade: se você tem amigos, é fato que um deles será o Seguidor. Ninguém nunca o viu, pois hoje estão todos mortos.

Peguei meu sobretudo, calcei as minhas botinas e fui andando até o outro lado da rua, onde morava a Detetive Especial Mary Danski. Bati duas vezes na porta e, na metade da terceira, ela abriu aparentando estar preparada para resolver uma meia dúzia de crimes naquela noite.

"Hoje tem" - ela disse, mostrando seus cabelos castanhos que voavam diante do vento gelado que invadia a sua residência. 

Fomos caminhando até que um Rolls Royce começou a buzinar nas nossas costas. 

"Ei! Entra aí. Precisamos chegar logo na cena do crime porque, pelos meus cálculos, a vítima está há muito tempo aguardando no chão gelado da Rua Feice. Não podemos deixar aquele ser sofrer tanto assim" - disse Luke, com seu sorriso malandro no rosto.

Chegamos naquele local imundo. Não havia apenas corpos aleatórios, mas também partes de animais e uma extrema quantidade de lixo jogado por todos os lados. Se não fosse o meu óculos, eu nem ia saber onde estava o defunto. Como eu odiava aquele bairro.

"Neste momento vejo zero gatos e zero gatas andando nessa rua" - falou. E ninguém entendeu o que ela quis dizer.

"Ahn, Mary, nós sabemos que você tem umas frases supimpas e tudo mais, mas dá para explicar um pouco melhor?" - disse Luke.

"Afff... Tá. Olha só, gatos caçam ratos. Aqui está cheio de ratos, mas não vejo nenhum bichano andando por aí. Não é estranho? Isso aqui é um banquete para quem quiser... UMA ARANHA!!!" - tentou explicar.

Eu olhei para Luke, ele olhou para mim. Nossos olhos brilharam, mas voltamos nossa atenção para Mary Danski que enfrentava sua única fraqueza: aranhas. Abandonamos um pouco a nossa vítima congelada e demos atenção à nossa amiga Detetive que lutava para se livrar do aracnídeo. Luke mostrou-se um rapaz corajoso e pisou com seus sapatos engraxados naquele animal asqueroso. Eu não me movi, pois também me cagava de medo do bicho.

Quando o meu ex-parceiro foi jogar a aranha para o canto percebi algo que ninguém havia notado: nos restos continha algo branco, levemente molhado. Peguei as minhas luvas e puxei até o meu rosto para ler o que estava escrito no papel. Fiquei embasbacado e passei para que Luke pudesse tirar conclusões.

"SIM! Isso aqui é melhor do que uma tarde inteira num PUB Londrino ouvindo Flogging Molly. Isso aqui é uma motherfucker evidência para finalmente acharmos o Seguidor. Mary tinha razão. O problema estava mesmo nas aranhas... ou seria a solução?"

Luke entregou o papel para Mary, que o analisou cuidadosamente. Após uns minutos pensando ela exclamou.

"Esta evidência pode estar ou pode não estar desclassificada. A pessoa que citou o nome do verdadeiro assassino não informou quem ela era. Mas o fato é que: temos o nosso suspeito. E eu conheço ele... sempre achei que pudesse ser uma pessoa perigosa".

Mary ficou em silêncio por um momento. Luke e eu tentamos entender o que estava acontecendo quando ela falou:

"Só eu que estou ouvindo esse barulho vindo do homem no chão?"

Olhamos vagarosamente até o defunto e ele estava completamente vivo segurando um revólver apontado para nós. 

"Vocês nunca irão me pegar!" - após esta estranha frase, o homem se matou.

Saímos da ex-cena do crime e fomos até um bar cantar "Call me maybe" no karaokê. Nada como resolver crimes com os meus velhos companheiros de guerra.

__

Protagonistas: Mary Danski e Luke Tyler.

Agradeço à Duda e ao Lucas por me deixarem escrever esta história usando suas personalidades do Twitter.

Segundo Capítulo: O Mistério da Tuiterlândia #2: Bloody Marry 

Nenhum comentário:

Postar um comentário