sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Mistério da Tuiterlândia #2: Bloody Mary


Aquela noite foi um terror, mas também uma lembrança dos momentos em que os meus parceiros -  Mary e Luke - e eu passamos durante a nossa vida ativa no campo, combatendo crimes da Tuiterlândia. E não havia motivos para lamentar, de verdade, pois na nossa volta  ao mundo de vigilantes conseguimos nos livrar de um criminoso que há tempos estava deixando toda a população preocupada. Por isso andamos até o nosso antigo bar favorito: o "RT Bar". Um lugar calmo e ótimo para recuperar toda a nostalgia.

Entramos e notamos que o balcão estava vazio, tendo somente a presença do bartender organizando os copos e limpando os respingos que os recém bêbados deixaram por todos os lados. Mary e Luke andaram um pouco mais à frente e eu fiquei observando o quão familiar e ao mesmo tempo diferente estava aquele local. Me lembrava tantos momentos, mas parecia que algo estava faltando. E eu não sabia o que era.

Na minha distração tomei um susto quando os dois cutucaram o meu braço, rindo, me convidando para fazer algo inusitado:

"Ei, John, nós vamos ali no karaokê. Quer ir lá conosco?" - perguntou o Luke.

Meu humor não estava o melhor, apesar de todas as lembranças e os eventos recentes. E eu realmente não era o tipo do cara que iria até um palco e cantaria para umas quarenta pessoas ouvirem.

"Sabe, eu acho que vou ficar aqui mesmo. Vou sentar e tomar um chá gelado... se tiver" - me senti babaca, como sempre, mas não era novidade a minha falta de entusiasmo.

"Está bem, sem problemas! Nós já voltamos aqui. Só vamos cantar 'Call me maybe' enquanto tomamos uma cerveja" - Mary falou, extremamente feliz naquela noite do dia 27.

Não demorou muito para que a música começasse e as luzes da pista central dessem início a um psicodélico show. Em poucos minutos, os dois já estavam completamente engajados com a plateia e até pareciam astros de Rock animando o bar. Mary chamou o público para cantar o refrão, enquanto Luke tentava desesperadamente sincronizar os seus pulos com a elevação da caneca até a sua boca. Certamente as faxineiras do lugar teriam um trabalho longo.

"Não é muito fã da agitação, amigo?" - uma voz misteriosa apareceu logo atrás de mim e eu notei que era o bartender tentando puxar assunto. Ainda me pergunto qual momento da vida fez estes profissionais decidirem servir bebidas e não beber da fonte da psicologia. Aquele balcão era o divã que deu errado.

"É, sou mais de ficar aqui sentado mesmo" - eu comentei e percebi que o homem não iria parar de puxar assunto tão cedo assim.

"Amigo, posso lhe oferecer a bebida que estamos servindo na promoção da casa? É grátis" - ele me olhou, indicando extrema confiança, apesar de parecer ser apenas um empregado com um salário razoável.

"O que você tem aí?"

"Hoje nós estamos comemorando. Queremos brindar vocês que nos salvaram deste terror que enchia a Tuiterlândia. Por isso estamos dando um copo de Bloody Mary para todos os que estão nesse bar. Está vendo ali a galera bebendo na pista de dança? É tudo por conta da casa" - disse, já enchendo um copo para mim.

"Ah... não, obrigado. Não gosto muito de álcool" - ele assentiu, mas com uma feição de que não tinha ficado muito alegre com a minha decisão.

Enquanto isso, Mary e Luke estavam voltando do palco, rindo e comentando sobre a animação do povo.

"Cara, você tinha que ter visto! A Mary foi cantar a parte dela, mas esqueceu que estava com o copo na boca. Derrubou tudo no chão" - disse Luke sem aguentar a gargalhada.

"Tá bom. Tá. Melhor isso do que não saber quando é hora de pular ou de beber. Sabia que não funciona fazer as duas coisas ao mesmo tempo?" - Mary provocou e todos continuaram rindo.

Um silêncio meio macabro começou a aparecer nos rostos dos dois Agentes Especiais quando notaram que umas dez pessoas estavam caindo, uma após a outra, na pista principal. Enquanto isso uma garota muito bonita, morena, entrou no bar e pediu um Bloody Mary, juntamente com uma ficha para cantar no karaokê.

Mais uma pessoa caiu. Mais uma. E mais uma. A bela moça continuou e começou a cantar "More than Words", tomando também um gole da bebida vermelha que havia pedido.

"Isso não está certo! Vamos chamar a ambulância!" - disse Mary. E ao mesmo tempo Luke ia até o meio das 40 pessoas para verificar o que estava acontecendo. Mas destas 40, apenas 10 ainda restavam em pé, desesperando-se. Eu fechei o bar e ordenei que ninguém saísse.

"Você não vai fazer nada, cara?" - perguntei ao dono do local, o bartender.

"Ué, os policiais aqui são vocês. Eu apenas observo a queda".

Irritado, eu tirei a minha arma que estava no casaco e a deixei apontada para o homem. Algo não estava certo ali. E eu não estava interessado em deixar o dono do estabelecimento sair sem fazer nada.

"ESTÃO TODOS MORTOS JÁ" - Luke veio gritando, inacreditavelmente assustado.

"E a menina continua cantando no palco... e é a minha música favorita, ainda por cima. Por quê?" - Mary indagou e foi chegando mais perto dela, a fim de convencer que ela parasse.

Quando se aproximou, percebeu que a garota estava com lágrimas caindo de seus olhos e, poucos segundos depois, deixou o copo com o Bloody Mary explodir no chão. E a menina caiu também. Mary a segurou e a colocou sobre o seu colo, tentando entender o que estava acontecendo.

"Calma, calma... a ajuda já vem. Shh... a ajuda já vem" - agora ela cantava os versos da música que tinha a sua melodia tocando ao fundo.

Eu voltei os meus olhos ao bartender, que sorriu e disse:

"Sabe o que eu adoro nos seres humanos? A capacidade de viver e morrer tão facilmente. Em um momento eles estão lá, cantando, dançando e, quando menos percebem, estão despencando e perdendo tudo o que já tiveram em suas vidas. É simples. É tão inexplicavelmente simples. É quase uma arte. É arte, na verdade. Você me entende, claro. Eu vejo as pessoas entrando neste bar, aproveitando um final de semana após o outro e os acho fascinantes. Você é maravilhoso. Seu colega é maravilhoso. A sua amiga que está tentando consolar uma pessoa morta é maravilhosa. E no final das contas tudo é tão rápido. Parece apenas um estalar de dedos, um piscar de olhos, um dedo no interruptor que desliga os seus corações deste mundo"

E ele estalou os dedos. Tudo estava apagado. Eu não enxergava onde Luke tinha ido, provavelmente estava lá fora conversando com os médicos sobre o acontecido. E eu sabia que Mary estava no palco. Pensei em correr, mas já era muito tarde. Quando resolvi deixar o meu lugar, tirar a arma apontada no rosto do dono do bar, eu ouvi um disparo. Algo extremamente alto que veio do outro lado do local. E eu sabia que a merda estava estabelecida.

Rapidamente desci a mira do revólver e dei um tiro no joelho do homem atrás do balcão. Ele não ia conseguir fugir tão fácil assim. Fui correndo até o palco e vi. Vi o que não gostaria de ver. A menina morena estava desmaiada no colo de Mary, que também estava deitada, com seus olhos fechados e com o seu ombro direito encharcado de sangue.

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Protagonistas: Mary Danski e Luke Tyler.

Agradeço à Duda e ao Lucas por me deixarem escrever esta história usando suas personalidades do Twitter.

Primeiro Capítulo
Terceiro Capítulo: EM BREVE. 

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