sábado, 20 de abril de 2013

Moeda de troca


Houve um tempo em que trabalhar com dinheiro era indispensável e ninguém jamais imaginava que um dia essa situação mudaria completamente. Hoje eu percebo como o mundo ficou bizarro, como tudo e todos apenas se importam com os seus status, seus seguidores e seus números. No final das contas, ainda temos de saber quanto vale cada usuário que gastamos.

Nos livros de história os escritores contam de forma muito superficial como se passavam as transações em mercados, lojas... o que quer que fosse. Eu li um pedaço que dizia o seguinte:

Nas antigas civilizações, lá pelo ano de 2013, os homens costumavam fazer suas moedas com um material chamado "papel". Geralmente, quem tinha pedaço mais valioso, que era determinado pelo seu gosto, e por uns números escritos à "caneta", levava a mercadoria para casa. É importante lembrar o seguinte: nem todos possuíam estes papeis, o que obrigava o povo a se escravizar para consegui-los.

Não sei o que pode ser verdade ou não nessa descrição, mas apenas mostra como o mundo evoluiu. E eu acho que ficou muito pior.


Muitos falam que nós finalmente alcançamos a liberdade, a vantagem de poder sair por aí sem a preocupação de trabalhar para sustentar as nossas vidas. Tudo é automatizado, tudo gira através da troca de informações pela internet. As empresas são controladas por robôs, que são controladas por máquinas gigantes, que são controladas por alguma entidade superior nunca vista. Ninguém sabe onde tudo começa, de onde as coisas realmente vêm. E pelo jeito todos continuam contentes desta maneira.

Eu acho que tudo começou quando as redes sociais entraram nas nossas vidas, há séculos. Naqueles "tempos das pedras", que nós costumamos chamar, as pessoas apenas conversavam, publicavam fotos e vídeos, falavam besteira e iam para os seus mundos, suas interações sociais. É estranho até pensar se algum de nós conseguiria ter apenas um dia em algo tão precário. Não me leve a mal, eu critico, mas não serei hipócrita de dizer que odeio. Nasci quando tudo já estava estabelecido e seria impossível me adaptar em algo diferente do que estou acostumado. Hoje, a nossa moeda de troca se chama "Usuários"  e é exatamente isto que você está pensando: nós damos um amigo para receber a mercadoria que desejamos. Quanto mais amigos este usuário tiver, mais ele vale.

Por isso, atualmente, o nosso único motivo para viver é conseguindo inúmeros usuários nos nossos perfis. Já não importa quem conhecemos, pois contato entre pessoas é extremamente raro, ou seja, todos  são relacionados. Todos são família. E cada rede social tem o seu valor diferente, sendo de importância vital manter todas atualizadas diariamente. Vamos ver um exemplo prático para você entender:

Outro dia eu estava navegando (é assim que vocês chamam?) e achei uma roupa muito legal. Ela custava Ü$350 e eu tinha apenas Ü$400 para gastar. Era o fim, todas as minhas outras redes sociais já estavam vazias, porque muitas vezes eu acabo dormindo o dia inteiro e perco os momentos de fluxo, de atualização. Eu resolvi comprar e fiquei por, pelo menos, uns cinco dias sem comida. Cada prato especial custa mais de Ü$100.

Sabe, tem vezes em que eu gostaria de viver aquilo que os nossos livros de história contam. Eu queria saber como vocês, aí em 2013, mantêm os seus ciclos girando sem se preocupar com todas essas nossas babaquices. Seria incrível poder entrar na minha rede social e não sair adicionando pessoas alucinadamente e nem ficar desesperado por uma apreciação de alguém só para conseguir viver. Nós somos a internet e nunca vamos escapar dela. Sintam-se privilegiados, vocês que podem ver este recado, pois ainda há salvação.

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