quarta-feira, 3 de abril de 2013

Doctor Who Fanfic: O primeiro dia de aula


Aqui em Gallifrey nós vivemos tranquilamente com todos os outros Senhores do Tempo. Meu pai é um, na verdade ele é o Presidente Geral que cuida do Vortex do Tempo. Apenas alunos formados têm permissão para ganhar estes conhecimentos, por isso nós temos de ir às aulas todos os dias. Já a minha mãe, bem, ela é babá em uma creche e é responsável para que os nascimentos não ocorram de forma errada. Quando eu digo errada, estou falando de coisa séria: há alguns anos, em um bairro bem pobre do nosso planeta, uma Senhora do Tempo muito famosa, que abandonou os seus dons, pois havia ficado maluca, engravidou e acabou tendo o filho na rua mesmo. A criança, sem os cuidados necessários, acabou sendo jogada para uma Linha do Tempo completamente diferente e até hoje não se sabe onde foi parar. A mãe, infelizmente, sofreu muito e morreu. Não regenerou, pois perdeu o direito no momento em que abdicou dos seus deveres em Gallifrey.

Então, como eu estava falando, nós temos de ir para a escola de Senhores do Tempo todos os dias. Lá, nós aprendemos as principais regras das viagens e o que é permitido quando recebemos os nossos diplomas. Existem diversas proibições e os professores deixam bem claro que, quem desrespeitar qualquer cláusula, pode ir tirando a TARDIS da chuva de cristais, porque não vai concluir o curso. A TARDIS é o nosso meio de transporte, uma máquina do tempo, mas somente os chefes do conselho de Gallifrey têm autorização para dar uma passadinha em outros locais e observar. Nós, pobres normais, a usamos apenas como uma maneira mais simples para nos deslocarmos.

Mas deixa eu contar um pouco o que aconteceu na aula de hoje, no meu primeiro dia: como eu e o meu melhor amigo entramos esse ano para a Escola de Senhores do Tempo, então nós temos de passar por muitos processos até chegar nos estudos mais complicados. E este dia foi exatamente para isso. O salão principal da EST é incrível: existem diversas TARDIS voando para lá e para cá, algumas portas nas paredes para testes de segunda dimensão, salas de simuladores de Vortex do Tempo e um infinito número de escadas que sobem para um incrível teto sem fim. Sério. Não tem como saber o que há lá em cima. A única coisa que dá para enxergar é uma galáxia inteira, com milhares de estrelas e planetas flutuando. Sabe o conceito da TARDIS? Maior por dentro? Então, a nossa escola é assim, só que centenas de vezes mais incrível.

Quando o meu melhor amigo e eu chegamos na sala da direção, ficamos sentados em umas cadeiras até alguém nos chamar. Hoje era o dia para escolhermos os nossos títulos de estudantes, porque não somos permitidos a usar os nossos nomes depois que estamos formados. Eu não sei nem como os meus pais se chamam. Entretanto, se eu pudesse lhe contar qual é o meu verdadeiro nome, gostaria que fosse John Smith. Bem, o meu colega foi escolhido antes que eu. Quando ele voltou, é claro que fiquei morrendo de curiosidade para saber o que acontecia lá dentro, mas ele falou que eu tinha de esperar a minha vez.

"Mas então, qual é o seu título?" - perguntei com os meus olhos brilhando, assim como quando eu enxergava aquela menina linda, a minha vizinha. O título dela é "A Melodia". Ela está bem à minha frente na escola.

"Meu título é O Master" - comentou o meu melhor amigo.

Ele estava pulando de alegria com esse nome. E eu fiquei um pouco com inveja, porque meio que queria ele para mim.

Poucos minutos depois a moça, chamada "A Governanta", me convocou. Eu fui, bem calmamente, sapateando até uma gigante porta azul no final do corredor. Nela estava escrito "Defina quem você é".

"A partir de agora você deve seguir este corredor e bater na porta. Apenas espere para que ela seja aberta. Não tente espiar. Isso pode acabar com a sua reputação facilmente" - disse a moça.

Olha, devo dizer que aquele trajeto foi muito maior do que eu imaginei. Levei uns quinze minutos para conseguir chegar perto da porta. Dei duas batidinhas e aguardei. Um tempo depois surgiu um homem bem velho e com um bigode super estiloso. O mais legal é que ele usava uma gravata borboleta vermelha e um terno antigo, de idoso mesmo. Fiquei imaginando se o dia da regeneração dele estava perto.

"Pode entrar, companheirinho"

Ele abriu a porta. E aí eu vi aquilo. Acho que não haverá nada mais bonito em toda a galáxia. A sala era gigante, também infinita. Ela era toda transparente com milhares de portas com todos os tipos de cores. Através das paredes eu conseguia ver as Cascatas de Diamantes que ficavam na Floresta de Cristal de Gallifrey. O chão, também feito de um material invisível, me mostrava diferentes tipos de TARDIS voando para lá e para cá, subindo e descendo, sumindo e voltando. Dentro da sala, bem no meio dela, estava posicionada uma central de controles e um gigante tubo iluminado com uma cor dourada.

"Nós, Senhores do Tempo, ao iniciarmos as nossas vidas estudantis aqui em Gallifrey, precisamos escolher os nossos títulos, como você bem sabe. Esta é uma maneira para que consigamos ser identificados como seres possuidores da sabedoria de todo o universo. O seu nome representará o que você é, o que os seus corações mandam. A maior verdade de toda a sua história estará resumida neste título. Seus sentimentos, seu passado e, o mais importante, qual será o seu futuro. Lembre-se, meu jovem, revelar a sua verdadeira identidade pode custar a sua vida e pode destruir os alicerces de Gallifrey. Não houve, até hoje, um Senhor do Tempo que ousou a anunciar o que há por trás de seu título, e eu espero que continue assim para sempre"

O discurso do homem velho me fez tremer as pernas, mas anuí e aguardei as instruções seguintes.

"Você deverá ir até o centro da sala. No console principal, é necessário que você dê um toque na luz dourada e diga o seu nome verdadeiro em voz baixa. Ao fazer isso, sua vida estará selada para sempre com Gallifrey e o tornará um membro dos jovens Senhores do Tempo. Todos que você conhece receberão em suas mentes o seu título e esquecerão para sempre do seu nome." - disse o velhinho com uma seriedade jamais vista. Pelo jeito a coisa era pra valer mesmo.

Dei passos largos até o coração da sala e toquei na luz dourada. Aguardei alguns segundos e sussurrei o meu nome. Tudo ficou extremamente brilhante. Fui envolvido pelo ouro que voava naquele local e no cenário ao meu redor apareceu um planeta enorme, praticamente azul e com uns pedaços verdes. Não sabia o que era, mas pensei que fosse apenas parte do protocolo. Em alguns minutos uma voz linda, de uma Senhora do Tempo que poderia ser mais linda ainda, anunciou:

"Um mundo diferente você irá descobrir. Seu destino decidirá se você seguirá os caminhos que foram há milênios traçados, no momento do seu nascimento. Seus corações cheios de bondade farão você cuidar daqueles que você ama. Seu título de Senhor do Tempo é O Doutor. Que o Universo lhe dê sabedoria para carregar este nome até o infinito" - e tudo na sala voltou a ser como era antes.

Achei incrível. Pensei que "O Mestre" era um nome legal, mas "O Doutor" foi algo tão único, que eu nem me importava mais com o título dos meus outros colegas. Mas eu tinha uma dúvida e era necessário perguntar.

"Senhor, isso tudo que apareceu e foi falado aqui. Bem, é procedimento padrão, são imagens e falas prontas?"

O velho se aproximou, curvou as costas e quase encostou seu nariz pontudo na ponta do meu. Apenas disse:

"Meu jovem, nada que acontece nessa sala é previsto. É o coração de Gallifrey que mostra um pedaço do seu destino".

E foi assim que acabou o meu primeiro dia de aula.

Um comentário:

  1. Lindo conto, aguardo os próximos capítulos. Nunca havia lido uma estória não-oficial sobre o Doutor, e a primeira não foi de decepcionar! A história que não precisaria ser contada, mas é de uma maneira muito bem feita.

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