sábado, 30 de março de 2013

Um futuro nada utópico de Black Mirror

não contém spoilers

Nós sempre estamos falando em como será o futuro, o que acontecerá quando ele chegar, mas a realidade é que nós já estamos vivendo o que a ficção científica tanto insistiu em inserir em nossas mentes. Se formos analisar, há um pouco mais de quatro anos, falar que poderíamos encostar em telas de celulares, acessar a internet de um aparelho parecido com uma tábua e conectar a nossa televisão à rede mundial dos computadores (Fantástico feelings) seria apenas impossível.

Esse conceito de "já estamos no futuro" me pegou quando resolvi abrir uma revista Super Interessante de 2004 e me deparei com uma propaganda de um celular da época: um aparelho arredondado, pesado e cheio de botões, tendo uma tela em preto e branco. E o anúncio deixava claro que aquela era a melhor tecnologia que existiu. Algum tempinho depois, a chuva de smartphones mudou completamente a maneira que enxergamos o nosso futuro/presente.

E é por isso que eu estou aqui para comentar sobre uma série britânica que explode mentes com sua tamanha genialidade: Black Mirror. Primeiramente vamos ver alguns aspectos do formato dela e, após isso, falarei de dois episódios em particular que se encaixam com o conteúdo deste texto.

Aos que já ouviram falar, mas não sabem muito bem do que se trata, Black Mirror não tem sequência de episódios e nem de personagens. Cada história é totalmente diferente da outra, tornando apenas o assunto principal o protagonista: a tecnologia. As narrativas se diferem tanto, que muitas delas ocorrem em um futuro com diversos novos aparelhos e comportamentos de pessoas, como também no presente, mostrando o impacto das redes sociais neste mundo maluco. 

Estamos vivendo o início de uma nova revolução nas nossas vidas: o Google Glass e também posso adicionar aí os relógios inteligentes. Estes aparelhos podem ser um sucesso logo de cara como podem ser apenas o ponto de partida para o que virá. Todo a criação precisa de um rascunho. Mas é fato que chegará um dia em que poderemos gravar tudo e estarmos conectados 100% das nossas vidas. E isso Black Mirror me mostrou em dois episódios que, por algum motivo, me assustaram um pouco, mas também fizeram eu ficar muito animado.

Imagine que você está com o seu Google Glass andando por aí, gravando 24h do seu dia cansativo e extremamente tedioso, mas algo incrível aconteceu: você capturou a imagem de um acidente, onde os dois motoristas ficaram desmaiados por horas e que não houve nenhuma testemunha. Nem você estava prestando atenção, mas seus olhos ficaram apontados para o local e, do nada, os carros se chocaram. "Quem é o culpado?", os policiais perguntaram, mas ninguém soube responder. Então você foi lá, escolheu o vídeo mais recente e assistiu: todo o acidente estava gravado. Com o seu bluetooth foi possível encaminhar a imagem ao policial, que fechou o caso.

O fato ocorrido acima foi inventado por mim, mas retrata muito bem o que Black Mirror nos mostrou em seus episódios. Nós poderemos ter tudo gravado, olhar novamente, mostrar para os outros e entrar em várias confusões por causa disso. Será que poderemos chegar ao ponto de ficarmos malucos e termos a necessidade de repetir os vídeos somente para provar um argumento? Jogando na cara da outra pessoa que ela estava totalmente errada?

Eu não acho que este futuro é tão distante. Na verdade, eu tenho certeza que nós já estamos nele. Não é feito por carros voadores e design bizarro, mas é uma vida totalmente diferente do que tínhamos há cinco anos. Imagine, então, o que será daqui 40. E eu quero estar lá para poder experimentar tudo isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário