segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Se apaixone e sofra com 'A Culpa é das Estrelas' de John Green

não contém spoilers
Eu li pela primeira vez a versão em inglês de "A Culpa é das Estrelas" em janeiro do ano passado e nunca pensei que seria possível um autor fazer todos os sentimentos do mundo surgirem em um pouco mais de trezentas páginas. Agora, após um tempo que se passou, concluí a leitura da edição em português lançada pela Intrínseca, e venho até vocês comentar um pouco sobre o que eu achei e o que você sentirá ao passar os olhos pelo ponto final desta obra de arte escrita por John Green.

Já era fã do autor, mas não pelos seus livros. Tive conhecimento da existência de John ao começar uma aventura no YouTube e descobrir o incrível canal VlogBrothers, que ele mantém atualizado juntamente com o seu genial irmão, Hank Green. Devo dizer que não fazia ideia de qual era o trabalho deste desconhecido escritor, até ficar sabendo, através de um de seus vídeos em Amsterdã, que ele estava em processo de produção de um livro. Então procurei quais seriam seus outros títulos e encontrei "Quem é você, Alasca?", uma das coisas mais magníficas que tive oportunidade de me aventurar. Vou deixar este para um outro texto.

Quando foi lançada a pré-venda de "The Fault in Our Stars" no Brasil eu fui correndo até o site para adquirir um e aguardei até janeiro de 2012 para chegar. Quando o carteiro bateu na minha porta e o entregou parei tudo o que estava fazendo e me dediquei às palavras do autor americano. As páginas me ofereceram personagens impressionantes e de inteligência singular. Seus atos inesquecíveis me fizeram flutuar pelo céu estrelado das noites em que lia antes de dormir.

Hazel Grace é uma menina que foi diagnosticada com câncer muito cedo em sua vida e não se importava mais com nada, senão seu livro 'Uma aflição Imperial' de Peter Van Houten. Ela já não estudava e nem saía de casa. Mas seu mundo mudou quando, ao ir em um Grupo de Apoio para vítimas do câncer, conheceu Augustus Waters. A personalidade do garoto é de explodir mentes. Os dois, ao estarem juntos, formavam uma dupla perfeita, nunca vista em qualquer romance. Por quê? Porque eles eram inteligentes e não se deixavam levar pelo fato de terem uma doença terminal. Afinal, eles estavam ali e agora. Uma pequena eternidade era o que mais importava.

Não detalharei o resto da história, porque você deve pegar o seu dinheiro e investir neste livro. Não se preocupe com os R$ 20,00 depositados na conta da livraria, porque você vai agradecer ao mundo por estas páginas existirem. Em "Quem é você, Alasca", John Green me fez ler sem parar, com os olhos abertos para saber o que estava por vir. "A Culpa é das Estrelas" proporciona isso também, mas de forma singela. Você não engole o livro, apenas o aproveita, sem perceber que já está acabando. E, a cada página virada, uma mistura de diversos sentimentos entram e saem daquilo que chamamos de "coração". Caro leitor, quem não se emociona ao terminar de ler esta obra precisa de um psicólogo, com certeza.

Deixe-me comentar um pouco sobre a genialidade nas palavras de Hazel, narradora da história:

"Vai chegar um dia - eu disse - em que todos nós vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, contruímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui - fiz um gesto abrangente - vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz."
(Trecho de "A Culpa é das Estrelas", John Green, página 19).

O livro é composto por discursos iguais a este. Uns maiores outros menores, não importa. São todos incrivelmente sensacionais para o nosso cérebro conseguir compreender. Os detalhes, como um copo de champagne ou apenas a expressão "O.K" transformam a história simples em uma obra literária complexa, sem explicação.

Para muitos este pode ser mais um livro adolescente que fez sucesso no mundo inteiro. Não para mim, porque estou cansado de rótulos para todas as coisas que encontramos por aí. Não existe idade para "A Culpa é das Estrelas". Não existe "livro para meninas ou livro para meninos" em "A Culpa é das Estrelas". Eu falo isso, porque já passei por vários outros clichês românticos que me fizeram apenas pensar: "por que diabos uma menina namoraria um vampiro feioso?". Isso não acontece na obra de John Green, porque você não está lendo para encontrar o seu príncipe encantado ou achar o amor da sua vida e viver vinte e quatro horas do seu dia beijando o pôster do protagonista. Não. Você está lendo, pois o universo lhe deu esta chance de poder refletir um pouco e ver se você é realmente agradecido pelo que tem. Se as suas lágrimas por alguém foram reais ou apenas mais um chilique de criança mimada.

Eu indico "A Culpa é das Estrelas", não por ser o melhor livro que eu já tive a oportunidade de ler, mas por me ensinar que o nosso tempo é curto e que precisamos nos mexer e fazer o que amamos. Por isso, quando alguém me pedir qual deveria ser o próximo título de cabeceira, eu falarei sobre ele. E como meta para a minha vida, presentearei qualquer pessoa com este livro, para que ela também tenha a mesma oportunidade inesquecível que eu tive.

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