segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Conto de Natal: 'Naquela estrela não havia ninguém'

Alguns dizem que o Natal é apenas comemorado na Terra, mas estão totalmente enganados. Várias criaturas do espaço, e além dele, costumam organizar as suas mesas em favor deste belo dia 25 de dezembro. Em Júpiter, por exemplo, as criaturas que lá vivem se reúnem no salão central de cada cidadezinha e levantam uma grandiosa pedra triangular, colocando embaixo dela pequeninos adornos em formato do próprio planeta. Após cantarem hinos no seu idioma, eles vão até as ruas e distribuem pedaços de frango espacial, para que os pobres possam festejar com alegria.

O Universo é infinito e com ele existem diversos locais, pequenos locais, microscopicamente feitos para parecerem uma poeira aos nossos olhos, que não celebram esta data especial. Não é pelo desconhecimento da cultura, mas pela total solidão que ocupam cada pedaço de suas terras. Apesar de minúsculos, quando você chega perto destas estrelas abandonadas, é possível admirar a imensidão que lá habita. Infinitas árvores prateadas que distribuem gotas congeladas através de seus galhos banhados a ouro e cristais, formando indescritíveis pinheiros Natalinos, porém sem ninguém que possa observar. 

Em Star IV, a estrela mais solitária de toda a galáxia, é exatamente isso que acontece. O céu azul escuro, coberto por pedaços de gelo que ficam flutuando e brilhando encantadoramente, não existiu uma  criatura sequer que pôde contemplar tudo que lá existe. Bem, até este dia...

George morava em uma cidade tão pequena como os seus pés em dia de inverno. A única rua tinha em seus lados esquerdo e direito casinhas de madeira e lojas com enfeites de Natal totalmente arruinados após o último desastre que devastou toda a população. Sobrou apenas o pequeno garoto, que ficava dentro de seu quarto aguardando alguém para o resgatar. O menino de pijamas, com olhos verdes como esmeraldas e pantufas em formato de cachorrinho segurava em suas mãos um cartão que dizia "Feliz Nat...".

Suas lágrimas prateadas caíam enquanto observava pela janela o céu estrelado, até que notou algo diferente das outras noites: uma forma pontiaguda, com cinco perninhas, brilhava e girava na noite de Natal. George fechou os olhos e desejou viver em um lugar assim. Quando acordou, sentiu o frio em seus pés e percebeu que não estava mais com suas pantufas. Notou também que havia um céu tão azul como os olhos de sua falecida mãe. 

Andou para lá, andou para cá e encontrou aquelas fantásticas árvores de prata. Tocou em uma e tudo ao seu redor pareceu ganhar vida. Aquela floresta incrível começou a girar de forma esplendorosa e todos os pinheiros cresceram por milhares de metros, tornando-se maiores que qualquer prédio que você teve a experiência de enxergar. Debaixo da terra subiram minúsculas casinhas, que logo se tornariam imensas cabanas cheias de vida e com pequenas criaturinhas simpáticas dançando dentro delas.

George caminhou até uma das casinhas de madeira e entrou em um lugar que parecia, por fora, um pequeno pub de madeira. A visão do interior era incrível: um salão com mais de novecentos metros de altura, contendo uma daquelas árvores prateadas em seu centro. Os galhos do pinheiro giravam vagarosamente e soltavam pequenos flocos brancos. O garoto segurou em suas mãos aquela substância e a colocou na boca. O gosto era doce e cada um tinha um sabor diferente. George comeu algo parecido com chocolate branco e outro que era uma mistura de avelã e cacau. 

O menino percebeu que uma criaturinha azul e com olhos redondos da mesma cor do céu daquele local pegou em sua mão e o levou para debaixo da árvore. Lá, haviam xícaras com um líquido azul...

"Você pode escolher o sabor. Basta pensar em qualquer um" - disse o nativo.

George pensou no chocolate quente com marshmallow que sua mãe preparava e tomou um gole comprido e infinito. O líquido nunca terminava. Após isso, a criaturinha o levou até o topo do pinheiro e lhe mostrou a imensidão daquele mundo, agora cheio de vida. Com lágrimas escorrendo pelos seus brilhantes olhos azuis, o ser disse: 

"Obrigado".

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