quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Prólogo: O dia que os mortos invadiram Erechim

Não havia no mundo lugar mais calmo para se viver. E isso era algo incomum. Antes do Dia acontecer, todos os habitantes da conhecida Capital da Amizade conversavam no centro da cidade, iam até a Avenida Sete para dar algumas risadas e enchiam os salões de festas com suas danças bêbadas e barulhentas. Era assim a vida de Erechim.

Todas as tardes, ao caminhar pelas ruas do meu bairro, eu pensava em como tanta desgraça poderia ter tomado conta da nossa querida cidade. Antes, o que era um apelido com referência à amizade, agora se tornava apenas um passado cheio de névoas que nunca mais voltaria. Não enquanto a nossa geração estivesse viva.

Mortos. Todos mortos. Não havia um ser vivo para contar qualquer história ou salvar os que ainda restavam. Bem, só restava eu. Quem conseguiu escapar não durou muito tempo nas ruas e, quem não conseguiu... você já deve imaginar o que aconteceu com eles.

De todos os cem mil habitantes desta imensa cidade somente eu permaneci. Durante alguns anos encontrei uma ou outra pessoa em minhas aventuras de horror, porém nenhuma foi forte o bastante para continuar nesta desgraça. Muitos acabaram se entregando aos mortos, outras tiraram as próprias vidas. Eu sobrei. Dentro do Castelinho transformado em uma base de guerra, construí minha moradia contra aquelas criaturas horrendas.

Agora não havia mais qualquer forma de mudar este destino. Ou batalharia até a morte, ou me tornaria apenas mais um naquela fedida e errante população.

Espero que a vida tenha piedade da minha alma.

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