quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Graystone #6: Um sumiço

Os três garotos se entreolharam paralisados, sem saber o que fazer, a flecha enchia a parede com brasas e logo iria tomar toda a cabana com um fogo mortal. Peter tremia e tentava descobrir uma forma de escapar daquele local, agora sombrio. Mas Jeff e Steve não demonstravam qualquer interesse de sair correndo ou o qualquer que fosse suas ações. Era impossível. A morte estava iminente e não havia forma de derrotar um ser tão poderoso como Augor. 



Em apenas um minuto um homem enorme, de uns dois metros de altura, entrou na cabana, que pegava fogo. Ele tinha longos cabelos negros como a noite e uma barba rente, muito bem feita. Se não fossem os olhos que fuzilavam os meninos, talvez eles pensassem que alguém, finalmente, estava ali para os salvar. Quando Augor se postou na frente de Peter, Jeff e Steve, o fogo atrás deles pareceu cessar e somente minúsculas brasas vermelhas comiam os pedaços de madeira, retardando o incêndio.

O arco nas costas do grandioso homem tinha os desenhos de uma cabeça de cabra com um brinco no chifre; um homem desfigurado com um enorme e brilhante cajado; uma jarra com a mesma cabra desenhada; e uma moeda que Peter logo reconhecera como o tesouro de Augor. Em passos lentos, aquela figura monstruosa aproximou-se dos, agora pequenos, garotos que já ensaiavam algum choro e rezas para todos os tipos de deuses que existiam no universo. Alguma coisa deveria ajudar. Os olhos negros de Augor congelaram as lágrimas dos três e logo em seguida o calor da cabana derreteu, formando novas gotas. Sem piedade, o homem das trevas tirou uma flecha, que agora não era só uma, e sim três. Uma para cada. Colocou precisamente no arco e mirou nas pequenas cabeças em sua frente. Quando tudo estava pronto, as chamas vermelhas das pontas das flechas iluminavam a cabana como o fogo do inferno. Era o fim. 

Toda essa jornada não teria valido a pena se na mesma hora, uma espada não tivesse batido nas costas de Augor e o distraído por alguns segundos. Os garotos saíram do transe mortal e olharam para cima, o lugar de onde aquela brilhante lâmina havia voado diretamente pela janela. Milagrosamente, Robert Jr, o homem que achara Peter, estava ali para salva-lo novamente, e também os seus dois recém amigos, Jeff e Steve. A esperança estava de volta nos olhos marejados daquelas pobres crianças. 

- Corram! Eu apliquei um veneno na ponta da espada, mas não esperem que dure a eternidade. - gritou lá do alto o homem que ainda vestia preto. Ele estava em uma espécie de balão de gás. 

Os garotos saíram em direção a porta e entraram no cesto do balão. Um segundo depois, levantaram voo. Era difícil para eles acreditarem que estavam vivos naquele momento.

Quando alcançaram uma grande distância da cabana apenas viram uma explosão que poderia deixar qualquer pessoa surda, se estivessem perto. Augor havia conseguido se livrar do efeito do veneno e sua ira crescia cada vez mais. Provavelmente destruiu metade da cidade de Silverstone, matando centenas de pessoas que andavam pela rua.

- Robert! Onde você estava? - Peter perguntou. E aquela não parecia ser sua única indagação.

- Bom, a história é longa, muito longa. Só tenho a dizer que fiquei preso no porão da mansão da casa de Augor por um tempo que não consigo calcular. Era impossível sair de lá, a não ser que alguém roubasse as moedas sagradas. Foi o que vocês fizeram. Quando eu percebi, as grades estavam todas destrancadas e saí correndo, fui até o sótão e peguei o lampião. - Robert havia pensado em tudo e os garotos não conseguiam parar de admirá-lo.

- O senhor é O cara! Mas... eu tenho outra pergunta.

- Sim?

- Ahn... Na sua casa eu vi os símbolos que são de Augor e de Silverstone. O que, exatamente, o senhor é?

- Existem coisas que se contarmos ninguém é capaz de acreditar. Por muitos e muitos anos eu vivi nessa cidade suja e fedorenta. A bem da verdade, eu nasci ali. Porém, um dia eu estava dormindo e quando acordei percebi que a cidade não existia mais, havia apenas um campo enorme. A única memória que levei comigo foram os símbolos sagrados. E não me leve a mal, antigamente as coisas eram muito diferentes por aqui.

- É, isso explica muita coisa. - Steve falou, meio que desdenhando.

- Cala a boca, Steve. - xingou Jeff.

Eles sobrevoaram dias e noites em busca de um lugar seguro para passar o tempo antes de avançarem em mais uma jornada para Graystone. O lampião os havia tirado de Silverstone e agora estavam livres para fazer o que quisessem, pois Augor não seria capaz, por enquanto, de os encontrar. Robert, Steve, Jeff e Peter cantavam e recitavam poemas sobre a alegria de finalmente estarem livres. Poemas, estes, que não podem ser divulgados, pois não faziam qualquer sentido.

Aos poucos eles foram descendo em uma montanha coberta de neve, pareceu-lhes que ali seria um bom lugar para ficar até decidir qual seria o próximo passo que eles dariam dali para frente. Havia uma caverna com um buraco de mais de quinze metros de altura, aparentava ser uma entrada muito útil para qualquer criatura que um dia viveu ali. A espessa camada de neve parava logo quando alguém colocava o primeiro pé dentro daquela escuridão rochosa. O chão, era perfeitamente planejado pela natureza: pedras, pedras e mais algumas pedras pontudas, o que dificultava um pouco a caminhada. Quando Robert acendeu o lampião, eles puderam notar que havia um lago a uns cinquenta metros para a frente e envolta disso só era possível ver mais rochas encaixadas umas nas outras formando um paredão sólido.

Andaram até perto do lago, não conseguiriam avançar mais que isso, de qualquer maneira. Se postaram no chão, bem na beirada da água e ali estenderam alguns lençóis que o próprio Robert trouxera dentro de seu balão de gás. Como ele conseguiu pegar? Boa pergunta. Ali devoraram mais alguns sanduíches e tomaram infinitas xícaras de café. Pensaram em dormir.

A noite fora incrivelmente tranquila, pelo menos os três que restavam ali na caverna pensaram que tivesse sido. Quando Peter abriu os olhos, olhou em sua volta e percebeu que faltava alguém. Tentou focalizar melhor a visão e, realmente, Jeff não estava mais ali. Ele acordara Robert e Steve, que desesperados começaram a chamar pelo nome do amigo.

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