quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Graystone #5: Tudo estava dando certo... estava

Ainda era tarde da noite e Peter caminhava assustado por aquele asfalto desnivelado da desconhecida cidade que aparecera bem em frente a ele. A cada passo que ele dava, mais coisas iam crescendo ao seu redor, como se tudo tivesse vida própria. Olhou para os lados e notou um bar todo iluminado, era a única fonte de luz além dos lampiões dos postes perfeitamente alinhados com a calçada. Passou pela porta giratória de madeira e deparou-se com muitos homens incrivelmente velhos fumando e jogando cartas que ele imaginou não serem comuns nas grandes cidades. Ao chegar mais perto, conseguiu notar que os símbolos nas cartas não eram números, mas tinham o mesmo desenho que vira entalhados na parede de Robert e que não conseguira distinguir o que significavam. Peter tomou coragem e perguntou:

- O que significa esse desenho engraçado na carta?


De forma única, todos olharam para o garoto como se ele tivesse matado o presidente do país. Um homem baixo, gordo, com uma longa barba suja, totalmente careca e com uma roupa rasgada levantou-se e permaneceu em pé observando, sem falar uma única palavra. Após passar o nariz pelos cabelos do menino, cheirando-o, o velho homem falou:


- Engraçadas? Você acha que elas são... ENGRAÇADAS? - gritou.

- Er... não, é qu...que eu já vi algo parecido antes. Não sei o que significam.

- Quem diabos é você, pra começo de conversa?

- Eu... Meu nome é Peter.

- E daí?

- Eu apareci nessa cidade e não sei por que eu estou aqui. Já procurei, procurei e não achei ninguém, até entrar nesse bar.

- BAR? Menino desgraçado! Esse é um templo sagrado! Não ouse chamar nosso local de meditação de BAR! - o homem gritava ainda mais alto e sua pele estava toda vermelha. Os olhos pegando fogo.

- Des... desculpe, n...não quis ofender. - falou chorando.

- Eu acho melhor você se retirar, antes que eu chame o chefe.

- Chefe?

- SAIA JÁ!

Peter saiu. Não conseguia assimilar o que havia acontecido naquele momento. Um bar ser um templo? Aqueles homens todos muito parecidos, aqueles símbolos igualmente aos que o desaparecido Robert tinha em sua parede? Saiu correndo pela rua antes que alguém quisesse o matar.

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