quarta-feira, 6 de julho de 2011

Graystone #1: O homem misterioso

A chuva batia no telhado daquela pequena casa toda feita de barro. O chão, incrivelmente sujo e molhado, mantinha alguns animais impossíveis de se reconhecer. Apesar da forte tempestade que insistia em cair naquele dia de verão, tudo estava extremamente calmo, somente o som abafado de um rádio de pilhas ecoava lá no minúsculo quarto de Peter, que mal aguentava ficar em pé. 



O garoto era muito magro, dava a impressão que não comia há uns três anos. Seu braço era tão fino, que segurar um pedaço de pão poderia rachar os ossos sem piedade. Ele morava sozinho, toda a sua família havia o abandonado sem motivo algum. A cidade mais próxima de seu barraco era a cinco quilômetros dali.

"Os melhores advogados do país vivem aqui, as melhores bebidas, as melhores festas, os melhores parques de diversão. Tudo isso você pode achar em Graystone". Todos os dias, às 5h da manhã esse anúncio era feito no radinho de Peter. Ele ouvia e imaginava como seria morar em um lugar como aquele, onde tivesse a oportunidade de estudar, se divertir, e acima de tudo, ter um lar. Ele tentava chorar, mas não conseguia, pois estava tão desidratado que suas lágrimas já haviam secado.

Toda vez que chovia, Peter saía para beber um pouco de água e ir para fora de casa ver se alguma platinha havia nascido para que, finalmente, ele pudesse se alimentar. 

Outro dia, após levantar da cama, o pobre menino colocou seu rádio em um dos bolsos da calça rasgada e tentou lentamente caminhar até o lado de fora. Com sucesso, desceu o único degrau, que era mais um pedaço de pedra encostado na parede, andou mais alguns metros e viu um homem com vestes muito escuras. No primeiro momento não deu bola para o que vira, pensando que fosse uma espécie de ilusão, mas cada vez mais que o menino olhava, mais perto o homem parecia estar. Com um misterioso olhar, o desconhecido rapaz parou de frente para o garoto que tremia, ao ponto de poder ouvir seus próprios ossos batendo uns nos outros. O olho negro mirou exatamente onde Peter estava. Com um sorriso no rosto, o homem virou-se e desapareceu.

Um comentário:

  1. Sempre o desfecho misterioso característico dos teus textos. Muito bem escrito! :)

    ResponderExcluir